Ao contrário do que indicavam as pesquisas eleitorais antes da votação do dia 6, os eleitores que optaram por Anthony Garotinho (PSB) e Ciro Gomes (PPS) no primeiro turno estão se dividindo igualmente entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e José Serra (PSDB). Nas simulações para o segundo turno, os levantamentos mostravam que Serra deveria conquistar mais eleitores dos candidatos derrotados do que Lula.

Na última sondagem do Datafolha antes do primeiro turno, feita em 4 e 5 de outubro, 36% das pessoas que diziam que votariam em Garotinho declararam que optariam por Lula num confronto contra Serra. O tucano receberia o voto de 50% dos eleitores do ex-governador do Rio. Na pesquisa divulgada no sábado, a primeira do Datafolha para o segundo turno, 41% dos eleitores que dizem ter votado em Garotinho declaram voto a Lula e 42%, a Serra.

Já no eleitorado de Ciro, antes do primeiro turno, 46% diziam que votariam em Serra e 39%, em Lula. A vantagem do tucano não se confirmou, já que a divisão do eleitorado foi rigorosamente simétrica: 42% dos eleitores de Ciro dizem que votarão em Lula e 42%, em Serra.

Para a analista de pesquisas eleitorais e consultora do Grupo Estado, Fátima Pacheco Jordão, o resultado das urnas e a declaração do apoio de Ciro e Garotinho a Lula podem ter influenciado essa mudança. “Os petistas podem ter encarado como uma derrota o fato de Lula não ter sido eleito no primeiro turno, mas os eleitores não perceberam dessa maneira. A leitura que o eleitor faz das urnas é a conquista do PT no Estados. A vitória do PT se deu nas demonstrações regionais de sua força”, diz ela. “O posicionamento rápido de Garotinho e Ciro também pode ter estimulado seus eleitores a repensarem seu voto.”

Fátima também destaca que, ao serem questionados sobre quem Garotinho e Ciro deveriam apoiar, os entrevistados apontam uma vantagem para Lula. Na disputa pelo apoio de Garotinho, 59% dos eleitores dizem que ele deveria se unir ao petista e 30%, ao tucano. As taxas são as mesmas em relação a Ciro. “Isso dá a Lula vantagem em dois campos: na declaração de votos e na intenção política, já que os eleitores mostram um desejo de que seus candidatos também apóiem o petista”, avalia ela.