O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou em discurso em evento fechado em Lima que está vendo “níveis anormais” de incerteza e a autoridade monetária não sabe ainda se estes níveis vão persistir, de acordo com a apresentação, que foi divulgada pelo BC. “Nesse contexto é importante o BC não reagir exageradamente a movimentos de curto prazo do mercado, o que poderia realmente adicionar volatilidade”, afirmou o dirigente.

Tombini destacou que o “balanço de riscos para a inflação se deteriorou”, mas o BC está monitorando de perto os mercados para avaliar “o grau de persistência dos movimentos recentes nos preços dos ativos e expectativas”.

Aos presentes no encontro, feito pelo Instituto Internacional de Finanças (IIF), formado pelos maiores bancos do mundo, Tombini reforçou que é preciso manter o nível atual de juros “por um período suficientemente prolongado” para a inflação convergir para a meta até o final de 2016.

A taxa de desemprego no Brasil tem subido em ritmo mais forte que o previsto, disse Tombini, e a fraca demanda agregada também contribui para conter a alta de preços. “As condições no mercado de trabalho e de produto contribuirão para o declínio da inflação de forma significativa.”

Como reflexo da mudança de preços relativos, Tombini disse que a inflação em 12 meses deve permanecer elevada até o final deste ano, fechando dezembro por volta de 9,5%, o que requer “perseverança e determinação” para impedir a transmissão para períodos mais longos.

“Como seria de se esperar em qualquer ajustamento macroeconômico, os custos aparecem antes dos resultados”, ressaltou Tombini. “Em outras palavras, é necessário incorrer em custos no curto prazo, a fim de colher os benefícios a médio e longo prazo.”