A estiagem e o baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas fazem com que a dependência da energia gerada pelas usinas térmicas cresça cada vez mais no País. Em fevereiro, as termoelétricas foram responsáveis pela maior parte da energia gerada no Nordeste, superando a geração por hidrelétricas.

Além disso, o governo autorizou o acionamento da usina de Uruguaiana, cuja operação é uma das mais caras do País. Segundo o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, ela deve funcionar nos meses de março e abril deste ano.

Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mostram que houve uma inversão na tendência observada até a metade de janeiro, quando a maior parte da energia na Região Nordeste era gerada por usinas hidrelétricas. Em 16 de fevereiro, último dado disponível no site do ONS, as térmicas foram responsáveis por mais de 50% da energia gerada no Nordeste. Dos 7.337 MW médios, 3.688 MW médios vieram das térmicas. As hidrelétricas da região geraram 3.347 MW médios.

O mix de geração vem se mantendo em quase todo o acompanhamento do mês e já faz com que, no acumulado do ano, até 16 de fevereiro, a produção hídrica e a térmica estejam praticamente empatadas: 4.053 GWh de geração nas térmicas e 4.076 GWh nas hidrelétricas.

Isso confirma as expectativas de custos mais altos de energia neste início do ano, época em que as chuvas normalmente contribuem para elevar a produção das hidrelétricas, que geram energia mais barata.

Mesmo com o acionamento de todas as térmicas, o total produzido no Nordeste não tem sido suficiente para atender à demanda na região. Em 16 de fevereiro, a carga demandada nos nove Estados nordestinos foi de 8.771 MW médios, quase 20% superior ao total gerado. O déficit tem sido suprido pelas hidrelétricas do Norte. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.