Com o aumento para R$ 1,50 a partir de hoje, a tarifa de ônibus em Curitiba subiu 274,94% desde o início do Plano Real (julho de 94), enquanto no mesmo período a inflação foi de 135,00% para os consumidores (ICV/Dieese) e 170% para o atacado em geral (IGP/FGV). O custo da passagem de ônibus também superou a variação do salário mínimo, que mesmo com aumentos reais apresenta um reajuste de 209%. Em julho de 94, um salário mínimo adquiria 162 passagens de R$ 0,40. A partir de hoje, comprará 133 passagens. Os dados são de estudo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos) e Senge/PR (Sindicato dos Engenheiros do Paraná).

Só neste ano, a passagem de ônibus de Curitiba já teve três aumentos, que somam 20%. Em 3 de fevereiro, houve reajuste de 8% (de R$ 1,25 para R$ 1,35); em 7 de julho, de 3,7% (de R$ 1,35 para R$ 1,40), e hoje, de 7,14% (de R$ 1,40 para R$ 1,50). “Neste período, os salários tiveram reajuste variando entre 6% e 9%, portanto, o trabalhador vai desembolsar mais dinheiro para pagar o transporte coletivo”, comenta o economista Cid Cordeiro, supervisor técnico do Dieese. “Mas a maioria das pessoas que ganham mais que o salário mínimo tiveram no máximo a reposição da inflação (reajuste de 135%)”, acentua.

Na opinião de Cordeiro, a tarifa de transporte coletivo não deveria aumentar automaticamente a cada variação de custos das planilhas das empresas. “A Prefeitura tem que pressionar as empresas para melhorarem sua produtividade e eficiência, transferindo esses indicadores para o valor das passagens”, considera. “A modernização tecnológica aumentou o preço dos ônibus novos, mas reduziu o consumo de combustíveis e outros insumos, como pneus”, cita. Na análise do economista do Dieese, a Prefeitura deveria levar em consideração também o IPK (Índice de Passageiros por Quilômetro) e o ganho de produtividade do sistema. “Os coeficientes técnicos de consumo estão defasados desde 99”, aponta Cordeiro.

Só o diesel

O diretor de transportes da Urbs (Urbanização de Curitiba S/A), Euclides Rovani, faz questão de ressaltar que outros fatores não foram levados em conta no reajuste. “Não houve alteração na planilha, não consideramos a quilometragem. Só repassamos o aumento do diesel”, enfatiza. “O diesel, que representa em média 20% da tarifa, teve reajuste de 62% desde fevereiro e hoje representa 24,77% do custo”, reforça, frisando que a elevação da passagem em 11,11% desde fevereiro cobre apenas o aumento do diesel no período.

Segundo Rovani, a alta da passagem a partir de hoje zera a defasagem das despesas da Urbs com as dez empresas concessionárias de transporte coletivo da capital. O repasse da Urbs para pagar os quilômetros rodados passará para R$ 38.605.508,00 mensais. Em relação ao IPK, Rovani informa que o índice está estável, porque o número de passageiros transportados pelo sistema de Curitiba não tem sofrido alterações. No mês passado, o total foi de 25.672.342 passageiros pagantes. Dividindo pelos 12,7 milhões de quilômetros percorridos mensalmente pelos 2.746 ônibus da frota de capital, resulta no índice de 2,02 passageiros por quilômetro.

“De outubro do ano passado até junho, o número de passageiros vinha caindo em torno de 4% em relação ao ano anterior, talvez pela maior quantidade de automóveis baratos, mas agora a situação se estabilizou”, revela Rovani. A média de 25,7 milhões de passageiros transportados por mês caiu para 24,3 milhões em junho deste ano. Com o novo aumento da gasolina, o diretor da Urbs acredita que o número de usuários de ônibus poderá ter um pequeno incremento, “mesmo com a passagem a R$ 1,50”. O diretor da Urbs estima que o total de passageiros transportados pelo sistema nesse ano ficará próximo da quantidade registrada em 2001.