Os representantes dos produtores e das indústrias de suco de laranja se reúnem na próxima segunda ou terça-feira em São Paulo para tentar chegar a uma proposta de consenso que será apresentada ao governo federal para evitar a queda de preços e assegurar que toda safra seja comercializada. Existe a possibilidade de que o equivalente a 87 milhões de caixas de citros deixem de ser colhidas por falta de comprador.

A informação é do presidente da Câmara Setorial de Citros, vinculada ao Ministério da Agricultura, Marco Antonio dos Santos, que aposta em um acordo para que a nova proposta seja entregue ao governo antes do feriado de Corpus Christi. O Ministério da Agricultura já comunicou que irá encaminhar as propostas do setor, desde que haja consenso.

Por telefone, ele disse à Agência Estado que um dos pontos da negociação é a possibilidade de a indústria ampliar a projeção de volume de citros a ser esmagado, que inicialmente era de 330 milhões de caixas e depois baixou para 242 milhões de caixas.

A redução da previsão de esmagamento se deve aos altos estoques de suco de laranja nas indústrias no início da safra 2012/13. O estoque de 618 mil toneladas de suco, que corresponde a 44% da projeção inicial de produção total desta safra, é mais do que suficiente para compensar a redução de 12,7% na oferta de matéria-prima em São Paulo e Triângulo Mineiro. A safra é estimada pelas indústrias em 364 milhões de caixas.

Santos afirmou que ainda acredita na possibilidade de reedição ou criação de uma nova Linha de Crédito Especial (LEC), para financiar a compra de determinado volume de citros pelas indústrias, por um preço de referência estabelecido pelo governo. No ano passado, o governo disponibilizou R$ 300 milhões para as operações de LEC da laranja.

O dirigente reconhece que há um impasse em relação à renovação da LEC, pois metade dos altos estoques das indústrias refere-se ao suco de laranja que está atrelado aos financiamentos tomados no ano passado, pois pelas normas do crédito a mercadoria só pode ser vendida a partir de julho deste ano. Existe um receio de que a reedição da LEC alivie a situação agora e apenas empurre o problema para a próxima safra.

Santos argumenta que a produção deste ano surpreendeu, apesar de estar abaixo do recorde de 417 milhões de caixas do ano passado, e destaca que para o próximo ano pode haver quebra de safra, por causa da irregularidade das chuvas, que afetam as floradas. Ele disse que, por enquanto, o setor não vai discutir preços, e sim o escoamento da safra, possivelmente com a participação da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que seria responsável pela comercialização de parte da fruta in natura. Santos não detalhou quais seriam os mecanismos de política agrícola que a Conab poderia utilizar neste caso.