Quase um terço das empresas (27%) foi vítima de algum tipo de crime econômico no Brasil nos últimos dois anos, de acordo com a Pesquisa Global de Crimes Econômicos de 2014, divulgada nesta quarta-feira, 19, pela PwC Brasil, grupo de auditoria e consultoria. A pesquisa ouviu executivos de 130 companhias nacionais e mostra que a maioria das fraudes (33,3%) representou para as empresas brasileiras um custo que variou de US$ 100 mil a US$ 1 milhão.

Nas faixas por valores, 19,4% das fraudes relatadas ficaram entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões; 19,4%, menos de US$ 50 mil; 11,1%, entre US$ 50 mil e US$ 100 mil; 5,6%, de US$ 5 milhões a US$ 100 milhões; 2,8%, mais de US$ 100 milhões; e 8,3% não tiveram o prejuízo quantificado.

A maioria dos crimes econômicos (44%) ocorreu na área de compras. “Esse tipo de crime está muito ligado à seleção de fornecedores e ocorre quando se dá preferência a determinada empresa de forma fraudulenta”, explicou Leonardo Lopes, diretor da PwC Brasil e especialista em compliance (cumprimento de leis e regulamentos).

Segundo o levantamento, o crime mais praticado é a apropriação de ativos, que pode ou não ser dinheiro. A corrupção e o suborno também aparecem com destaque.

Na maioria dos casos (64%), a origem da fraude é interna, ou seja, ocorre com a participação de funcionários. O perfil desses funcionários revela que 35% deles trabalham na empresa de 6 a 10 anos. Dos fraudadores, 39% possuem cargo de média gerência e outros 39% são juniores. Em 18% das ocorrências, há a participação de gerentes seniores. Além disso, o levantamento apontou que os homens representam 87% do universo dos criminosos e pouco mais da metade dos fraudadores (52%) tem entre 31 e 40 anos.

A pesquisa mostra ainda que 74% dos entrevistados acreditam que os crimes ocorreram porque houve falhas ou brechas que permitiram a fraude. Além disso, 13% dos crimes ocorreram por algum tipo de pressão e outros 13% por alguma razão de caráter pessoal.

O estudo cita a nova Lei Anticorrupcão no País e diz que as empresas precisam passar a investir ainda mais em tecnologia e auditoria para evitar penalidades. “É preciso criar um mapa de riscos e traçar estratégia contínua para evitar as fraudes”, disse Lopes.

Crimes virtuais

A incidência de crimes virtuais (cybercrimes) caiu em relação à pesquisa anterior, que teve dados de 2011. Na ocasião, o total de crimes virtuais era de 32%. Agora, baixou para 17%. Para Lopes, essa redução pode ser explicada por um forte investimento na área de TI nos últimos anos.

O diretor de Tecnologia da área de forense da PwC, Fernando Carbone, porém, faz uma ressalva. “Essa é uma realidade traçada com base nos que responderam à pesquisa e pode dar uma falsa sensação de segurança no Brasil”, afirmou. Do total de entrevistados, 45% são altos executivos.

Cenário global

A pesquisa global da PwC consultou mais de 5 mil executivos em 95 países. No cenário global, 34% das empresas sofreram algum crime econômico nos últimos 24 meses. De acordo com o levantamento, em 55% dos casos as fraudes estão relacionadas ao controle interno, ou seja, contam com a participação de funcionário. Além disso, em 13% dos casos os crimes são ligados a suborno e corrupção.