Vinte e uma pessoas foram encaminhadas à sede da Polícia Federal em Tocantins hoje, acusadas de pertencer a uma quadrilha de fraudadores do seguro-desemprego na região de Araguaína, a 400 quilômetros de Palmas, capital do Estado. Segundo o delegado Omar Afonso de Ganter Peplow, foram cumpridos 11 mandados de prisão e 10 mandados de condução coercitiva, além de 21 de busca e apreensão. Entre os materiais apreendidos estão documentos e computadores.

“Esses documentos irão ajudar a identificar outras empresas e outros beneficiários envolvidos no esquema fraudulento”, explica o delegado. Já foram identificadas 400 pessoas que receberam o seguro-desemprego indevidamente. Segundo a PF, foram desviados dos cofres públicos cerca de R$ 1,8 milhão.

As prisões fazem parte de duas operações simultâneas da Polícia Federal em Araguaína. As operações Filtragem e Bloqueio II têm como objetivo desarticular duas quadrilhas de fraudadores do seguro-desemprego na região. As investigações tiveram início há cerca de um ano e meio, numa parceria com a Caixa Econômica Federal. Nesse período foram feitas prisões em flagrante de algumas pessoas que foram ao banco para efetuar saques indevidos do seguro. Isso permitiu colher informações e identificar várias pessoas e empresas envolvidas no golpe.

Para o recebimento das parcelas do seguro-desemprego, o grupo aliciava o trabalhador, que “emprestava” sua carteira de trabalho (CTPS). De posse da carteira, as quadrilhas efetuam registros de contratos fictícios, para configurar vínculo empregatício, com a respectiva admissão e demissão do beneficiário.

A primeira parcela do seguro-desemprego é sacada pelo trabalhador e as demais, pelos integrantes da quadrilha, através do cartão do cidadão. O trabalhador recebe o cartão no primeiro saque e o entrega aos criminosos para a continuidade da fraude. Os mentores também recebem o seguro-desemprego entre eles. Nesta modalidade, os próprios criminosos atuam, entre si, como empregadores e empregados fictícios.