Após o pagamento à vista de mais de R$ 5 bilhões pelas empresas de telecomunicações ao Tesouro Nacional, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, reconheceu, nesta sexta-feira, 5, que o depósito das outorgas pelas vencedoras do leilão de 4G na faixa de 700 mega-hertz (MHz) foi importante para o governo.

“As empresas estão sendo vistas como heroínas em alguns blocos da Esplanada. Mas será que as pessoas estão mais preocupadas com o superávit primário do que com a melhoria da qualidade do serviço?”, disse após participar do evento de assinatura dos contratos entre a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e as operadoras Claro, TIM, Telefônica Vivo e Algar Telecom.

De acordo com Bernardo, nos próximos quatro anos, o 4G pode se consolidar como a principal tecnologia de banda larga móvel. “As empresas sabem que na verdade pagaram barato pela faixa, porque esse será o serviço predominante. A frequência de 700 MHz é o filé mignon para se fazer o 4G”, comentou.

Já o presidente da Anatel, João Rezende, minimizou a frustração de arrecadação com o leilão de setembro, que resultou em outorgas de R$ 5,1 bilhões, ante os R$ 8 bilhões previstos originalmente pelo governo. “Independentemente de quanto o leilão de 4G arrecadou, temos de olhar a importância do leilão para a indústria de telecomunicações. Até 2018, teremos processo de modernização e avanço tecnológico tanto para a radiodifusão quanto para a os serviços de telefonia e banda larga. Estaremos incentivando indústria brasileira a encontrar soluções para os dois setores”, afirmou.

Amadurecimento

Segundo Rezende, apesar do atraso no cronograma do leilão, a negociação feita com as teles e os radiodifusores que atualmente ocupam a frequência fizeram com que a Anatel “amadurecesse”. Paulo Bernardo, inclusive, considerou que essa negociação evitou “uma briga de elefantes”. “Todos os setores hoje avaliam que fizemos uma modelagem a contento”, classificou o ministro.

Também participando da cerimônia, os representantes das teles destacaram o trabalho a ser feito para a complementação do 4G – hoje oferecido na faixa de 2,5 giga-hertz (GHz) em 129 municípios. “Agora teremos muito trabalho a fazer, para a limpeza da faixa de 700 MHz e implantação do 4G. Fomos a primeira empresa a comprar um lote de 3G e também de 4G no Brasil, confirmando o nosso compromisso com o País no sentido de oferecer o melhor serviço para os nossos clientes”, afirmou o presidente da Claro, Carlos Zenteno.

Para o presidente da Telefônica Vivo, Antônio Carlos Valente, muitas pessoas acharam que seria impossível que a nova faixa já pudesse ser disponibilizada. “A sociedade pode ficar tranquila, porque os direitos dos radiodifusores estarão garantidos e vamos trabalhar para que a expansão do 4G nessa frequência seja rápida para que ela chegue a mais usuários”, comentou.

O vice-presidente de Assuntos Institucionais da TIM, Mario Girasole, disse que o processo que começa a partir da assinatura dos contratos é ainda mais desafiador, com a digitalização de todos os sinais de TV do País e a implantação das novas redes de 4G. “Obviamente, será um benefício enorme para o Brasil e seus usuários”, concluiu.

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