O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, informou nesta terça-feira (24), no Itamaraty, que o foco da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Honduras, Nicarágua, Jamaica e Panamá estará na cooperação técnica e na ampliação de negócios e investimentos. Em especial, na área de etanol e biodiesel. A viagem ocorrerá de 7 a 11 de agosto. Um dos desafios será o de convencer esses países de que as críticas contra a produção de biocombustíveis são improcedentes. Essas críticas foram disparadas pelos presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, Evo Morales, da Bolívia, e Fidel Castro, de Cuba.

"Muitas vezes, criam-se mitos. Não posso transformar o biocombustível ou qualquer outra fonte de energia em algo ideológico. Não tem sentido", afirmou o chanceler brasileiro. "Cada país faz sua opção e cada país tem a sua situação. Algum tempo atrás, eu vi a Bolívia muito interessada em ter uma usina de biodiesel", completou.

Durante a visita do presidente Lula à Jamaica, no dia 9, uma segunda planta de desidratação de álcool será inaugurada. Ambas as usinas que operam no país foram construídas por investidores brasileiros, interessados em driblar as barreiras tarifárias dos Estados Unidos à importação de álcool do Brasil. Com países centro-americanos e caribenhos, os Estados Unidos contam com Tratados de Livre Comércio e/ou sistemas de preferências. Portanto, o caminho encontrado pelos produtores brasileiros foi o da exportação de álcool hidratado para a Jamaica, onde o produto é transformado em anidro e embarcado para o mercado americano.

No Panamá, o governo Lula ainda insiste na possibilidade de participação de empreiteiras brasileiras nas obras de ampliação do canal. Apenas na Nicarágua, governada pelo sandinista Daniel Ortega, a pauta estará concentrada em temas políticos, admitiu Amorim.