Com variação de 1,44% no IPC (Índice de Preços ao Consumidor), Curitiba registrou em outubro a maior inflação do ano e a maior desde julho de 2000 (2,1%). No ano, o índice acumulado é 7,16% – contra 4,78% em igual período do ano passado. Nos últimos doze meses, o IPC registra variação de 8,3%, enquanto nos doze meses anteriores a outubro de 2001 o acumulado era 5,88%. A taxa do último mês foi 0,32 ponto percentual superior à de setembro (1,12%) e o dobro do índice de outubro do ano passado (0,72%).

Os dados foram divulgados ontem pelo Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social), órgão vinculado ao governo do Estado. Os sete grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta de preços no mês passado. Dos 338 itens incluídos na pesquisa, 220 apresentaram aumento, 85 tiveram queda e 33 ficaram com preços estáveis. “Novamente os grandes vilões da inflação foram os preços monitorados”, destaca Arion César Foerster, diretor do Centro Estadual de Estatística do Ipardes. “A indústria e o comércio seguraram o quanto puderam, mas agora começam a vir os aumentos”, avalia.

As maiores contribuições para o índice mensal vieram de Alimentos e Bebidas, com variação de 3,03% (a mais alta desde abril de 2001), e Transporte e Comunicação, que teve elevação de 1,72%. Só esses dois grupos, que juntos comprometem 45% do orçamento familiar, foram responsáveis por 1% do IPC de outubro. Na alimentação, as maiores influências foram do pão francês (7,71%), arroz (11,88%), café em pó (8,14%) e farinha de trigo (20,28%). As reduções de -18,26% no tomate e de -1,05% no leite pasteurizado não foram suficientes para reverter o aumento dos alimentos. O grupo Transporte e Comunicação foi pressionado pelo incremento de preços do álcool combustível (12,91%), automóvel de passeio e utilitário usado (2,24%), gasolina (3,08%) e passagem de avião (14,72%). Também foram registrados incrementos de 0,33% em Habitação, 1,48% em Artigos de Residência, 2,43% em Vestuário, 0,14% em Saúde e Cuidados Pessoais e 0,57% em Despesas Pessoais.

Dois dígitos

As perspectivas de inflação para os dois meses finais de 2002 não são positivas. Pelos cálculos do Ipardes, só o aumento da gasolina impactará o índice de novembro em 0,31 ponto percentual. Confirmando-se a alta de 20% no gás de cozinha, haveria acréscimo de mais 0,09. Se a tarifa de ônibus da capital passar para R$ 1,50, teria influência de 0,08 no IPC. Só esses itens resultariam um índice próximo de 0,5%. “Se continuar essa tendência, o índice de novembro deve ser mais alto que o de outubro. Ano passado, houve redução do preço dos combustíveis nessa época, mas nesse ano ocorre o contrário”, salienta Foerster.

O açúcar, por exemplo, subiu 7,42% nos últimos seis meses, sendo 6,99% só em outubro. “Os usineiros pleiteiam 90% de aumento do açúcar, mas os supermercados estão resistindo. Até agora, repassaram só 23%”, cita Carlos Renato Sofka, técnico do Ipardes. “Se os usineiros conseguirem impor o preço, fica difícil não comprar. Ou então pode faltar produto”, observa. Em dezembro normalmente há queda da inflação em Curitiba. “Mas como esse ano foi atípico, devemos chegar à casa dos dois dígitos”, prevê Sofka. O IPC – que mede o custo de vida para famílias com renda mensal entre um e quarenta salários mínimos – fechou 2001 em 5,9%.