O ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco afirmou nesta quinta-feira, 17, durante seminário “Caminhos para o Brasil”, organizada pelo Instituto Teotônio Vilela e PSDB, no Senado Federal, que é preciso falar de privatização de “peito aberto”. “O problema não é ideológico, ideológico coisa nenhuma. A Petrobras esta quase quebrada e isso não teria acontecido com uma empresa privada”, disse.

Segundo Franco, o Brasil vive momento glorioso de suas instituições, mas no dia a dia as pessoas estão preocupadas. Para ele, as reservas internacionais estão um patamar superior ao qual o Brasil necessita e é preciso que o governo não confunda “febre com infecção”. “É o erro mais comum e delicado de se confundir causas e efeitos e é muito comum isso virar tratamento indesejado”, afirmou.

Franco lembrou durante grande parte de sua apresentação o período de implantação do Plano Real, em 1994, e as expectativas que existiam na época para o futuro. O presidente Lula, de acordo com ele, pouco alterou o que herdou da política econômica quando assumiu o governo. “Foi um momento de um petismo passivo e que demonstra respeito do legado que recebeu e pelo País”, avaliou.

De qualquer forma, o economista salientou que houve a volta da inflação nos últimos anos. “O que difere eles de nós é o inflacionismo.”

O ex-presidente do BC avaliou ainda que os juros atuais são “estupidamente altos”. Ressaltou, no entanto, que isso não ocorre simplesmente porque o BC é “conservador ou malvado”, mas que é fruto de uma série de indicadores ruins da economia. “É preciso refletir sobre o que é a solução, que não é controle de juros, assim como a solução para a inflação não é controle de preços”, afirmou.