O crescimento dos gastos sociais do governo é quatro vezes maior que o aumento dos salários na economia. Levantamento feito pelo Banco Central (BC) mostra que as despesas com os programas de proteção social aumentaram 19,9% no primeiro semestre de 2009. Nesse período, os gastos com pagamentos de aposentadorias avançaram 7% e a massa de salários, na lanterna, teve expansão de apenas 4,4%.

Os dados constam do Relatório de Inflação, divulgado na sexta-feira pelo BC. No documento, o BC chamou a atenção para a evolução dos gastos públicos, que deve aumentar a pressão sobre a inflação em 2010. Mas a autoridade monetária admite no relatório que a elevação dos gastos sociais colaborou para a rápida recuperação da economia na crise. Para os diretores do BC, os programas sociais “tendem a mitigar as oscilações de consumo e, portanto, da demanda doméstica”.

Neste ano, os gastos sociais avançaram em reação à crise econômica. Mas esse movimento vem sendo observado desde antes da turbulência financeira: os valores crescem desde 2004 por causa do aumento real do salário mínimo e da ampliação dos programas sociais.

Em 2009, por causa da crise, o aumento das despesas sociais foi liderado com folga pelo seguro-desemprego e pela bolsa-qualificação, programa de treinamento de trabalhadores desempregados. No semestre, a verba consumida pelos dois itens saltou 33,2% ante 2008. Nesse período, o Bolsa-Família cresceu 5,9%. Para os diretores do BC, a diferença de velocidade entre salários e programas sociais refletiu ainda a redução no ritmo de reajustes salariais no período de crise. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.