Nenhuma farmácia do Estado oferece medicamento fracionado aos consumidores, segundo o Conselho Regional de Farmácia do Paraná (CRF-PR). A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) permite este tipo de venda, mas com regras a serem cumpridas e a supervisão de um farmacêutico.

Os medicamentos fracionados possibilitam ao paciente comprar a quantidade exata prescrita na receita médica. Os estabelecimentos não são obrigados a vender remédios desta maneira.

A medida vale desde 2005 e, segundo a Anvisa, evita que os pacientes mantenham sobras de remédios em casa. Assim, haveria a diminuição do uso de medicamentos sem prescrição ou orientação médica e a redução dos casos de intoxicações.

Comprar a quantidade exata também baratearia os custos do tratamento. A Anvisa determinou que a venda de medicamentos fracionados deve acontecer em um espaço especial dentro da farmácia. A manipulação precisa ser feita por um farmacêutico.

O remédio vem direto da indústria em uma embalagem própria, específica para a comercialização fracionada. Cada unidade traz os dados de identificação, como nome do produto, concentração do princípio ativo, número de registro, lote e prazo de validade.

Segundo a Anvisa, podem ser fracionados os medicamentos que vêm em frasco-ampola, ampola, seringa preenchida, flaconete, sachê, envelope, blister, strip, comprimidos, cápsulas, drágeas, adesivos transdérmicos e supositórios. Os remédios com controle especial não podem ser vendidos separadamente.

“Existem muitas dificuldades. A resolução é de 2005 e está meio parado. A indústria está produzindo 175 medicamentos fracionados, mas as farmácias não estão vendendo. As farmácias, depois de fracionar, ainda precisam colocar o medicamento em outra embalagem, para poder encaminhar ao consumidor”, comenta Paulo Roberto Ribeiro Diniz, presidente do CRF-PR.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Estado do Paraná (Sindifarma-PR), Edenir Zandoná Júnior, considera a venda fracionada como “complicada”. De acordo com ele, a medida pode facilitar a resistência de bactérias.

“A Anvisa não está sendo coerente. Por um lado fala do que a não utilização correta dos medicamentos pode causar resistência. Por outro, permite a venda fracionada. O fracionamento pode induzir o paciente a tomar o medicamento e, assim que melhorar um pouco, deixar de usar. Parece que isto começou pela contramão”, afirma.

Zandoná Júnior fala que não existe a procura por antibióticos fracionados e admite que a criação de um espaço específico para isto nas farmácias dificulta a adoção deste tipo de venda.

“Gera um custo operacional. A sala deve seguir as normas da Anvisa. E se não tem a procura, como vai manter uma sala assim?”, questiona. Outras informações sobre medicamentos fracionados no site www.anvisa.gov.br.

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