Com o mercado interno retraído, uma das saídas das empresas brasileiras é buscar compradores em outros países. No entanto, a exportação não pode servir como uma espécie de válvula de escape para a crise econômica interna; ela tem de ser planejada e fortalecida. “A pior empresa é aquela que exporta quando o mercado interno está ruim, porque quando o cenário melhora ela pára de exportar. Também não cumpre os contratos externos e ainda suja o nome do País. O que a gente quer é a empresa estratégica, que quer crescer”, afirmou ontem a ex-ministra do Trabalho, Dorothea Werneck. Ela está em Curitiba participando do lançamento do Programa Exportar, do banco Santander Banespa, que tem como objetivo diminuir ou eliminar as dificuldades de acesso ao crédito encontradas pelas empresas que querem vender para o mercado externo.

“Se há um caminho para crescer, a exportação permite acelerar este processo”, apontou a ex-ministra. Segundo ela, em 2003 havia cerca de 17,7 mil empresas industriais brasileiras exportadoras. Em 2002, eram aproximadamente 14 mil. Para a ex-ministra, conquistar o mercado externo depende unicamente da classe empresarial e não de políticas governamentais. “Costumo dizer que todo empresário que espera o governo fazer algo está perdendo o bonde. O básico o governo já fez: a abertura do mercado, o controle da inflação e a mudança da política cambial, em 99”, afirmou Dorothea.

De acordo com a ex-ministra, um dos segredos para quem exporta é diversificar não apenas produtos, como também mercado. “O que mais vem crescendo é a exportação para mercados não tradicionais, como a Ásia – especialmente a China -, o Oriente Médio, Leste Europeu, África e América Latina”, afirmou. Um dos obstáculos para o crescimento do comércio externo, no entanto, pode ser a sobretaxa de produtos brasileiros. “É a regra do mercado. Temos, tradicionalmente, 1% do mercado mundial, mas quando alcançarmos 2%, 3% ou 5%, começam a vir as sobretaxas.”

Programa Exportar

Depois de ser lançado em São Paulo e no Rio Grande do Sul, em 2003, o Programa Exportar chega no mês que vem ao Paraná e Santa Catarina. “O programa foi todo desenvolvido para atender empresas que estão começando a exportar e vêm encontrando dificuldades no acesso ao crédito”, explicou a ex-ministra, que é consultora do programa. “Estamos apostando muito no Paraná”, afirmou. Não há previsão do número de empresas que devem se interessar pelo programa.

Segundo ela, o Exportar não oferece taxas menores que a praticada no mercado -8% a 12% ao ano. O grande diferencial, explicou, é a assessoria prestada, de jurídica a financeira. “É feita uma avaliação da empresa, um diagnóstico. Então é traçado um plano de exportação, fluxo de caixa e verificamos qual é a necessidade de financiamento.” Outra vantagem, acrescentou, é o prazo de aprovação de financiamento – no máximo dez dias e não 30 a 45 dias como os demais. Quem deve ganhar com o programa são as empresas de menor porte, que desejam buscar o mercado externo, mas não sabem como. “A gente privilegia a empresa que quer começar a exportar. E nesse contexto, as micros e pequenas são a grande maioria”, apontou. No Paraná, o núcleo do Exportar vai funcionar inicialmente apenas em Curitiba. A idéia é levá-lo para o interior, na seqüência.