Anhangüera, do Cefet-PR: alternativa
para garantir competitividade.

Dez aviões construídos por estudantes da região Sul estão quase prontos para disputar a VII Competição SAE Brasil AeroDesign, entre os dias 23 e 25 de setembro, no Centro Tecnológico Aeroespacial, em São José dos Campos, São Paulo. Em comum, as 10 equipes têm entusiasmo de sobra e pouca verba.

?Nosso avião está mais simples e leve que o projeto do ano passado?, afirma Bruno Contessi, capitão da equipe Céu Azul, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), uma das veteranas na competição, que conquistou o 7.º lugar na classificação geral no ano passado, a melhor colocação entre as equipes da região Sul. A Céu Azul aposta em um avião biplano, com menos de 4 kg, que tem fuselagem e asa inferior em uma única peça. A disputa terá 61 equipes de 45 universidades de engenharia nacionais e estrangeiras.

A estreante Anhangüera, do Cefet-PR, também criou alternativas para garantir competitividade. ?Desenvolvemos um freio pneumático baseado em um sistema usado em jatos?, afirma o capitão da equipe, Leandro Rocha. A tecnologia ajudará a assegurar a parada completa da aeronave nos 121 metros previstos. ?Assim, podemos ganhar bônus de pouso?, confia.

Pela Classe Regular, além da catarinense Céu Azul, da UFSC, e da paranaense Anhanguera, do Cefet-PR, participam as equipes Kamikase, da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC); Pelicano, da Universidade da Região de Joinville; Albatroz, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc); Carancho, da Universidade Federal de Santa Maria-RS; Minuano, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Fênix e X-Goose, da Universidade Federal do Paraná. Apenas a equipe gaúcha Carancho Open, da Universidade Federal de Santa Maria, disputa pela Classe Aberta, contra outras seis equipes de todo o País.

Referência no setor aeronáutico no Brasil, a VII Competição SAE Brasil AeroDesign reunirá duas universidades estrangeiras – uma da Universidad Nacional Experimental de La Fuerza Armada, na Venezuela, e outra da Fundación Universidad de Las Américas Puebla, no México. Entre as nacionais, além das 10 equipes da região Sul, 15 são do interior de São Paulo, 14 da capital paulista, oito de Minas Gerais, sete da região Nordeste e cinco do Rio de Janeiro. Do Distrito Federal participam duas equipes e, do Espírito Santo, uma equipe.

Ao final da competição, as duas primeiras colocadas na Classe Regular e a campeã da Classe Aberta ganham o direito de disputar a SAE Aerodesign East Competition, em 2006, nos Estados Unidos, onde o Brasil já é conhecido por seu talento. Somente neste ano, o País sagrou-se campeão e vice na Classe Regular, com as equipes Car-Kará, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e Canarinho, da Unesp Bauru.

Competição

O desafio dos futuros engenheiros é projetar e construir aviões em escala (nas classes Regular ou Aberta), radiocontrolados, que suportem a maior carga útil possível a partir de uma distância de decolagem máxima de 61 metros.

As aeronaves da Classe Regular são projetadas e construídas somente por estudantes de graduação, devem possuir um compartimento de carga com as dimensões mínimas de 12,7cm x 15,24cm x 20,32cm, e ter, no máximo, 152,4cm de envergadura. Além disso, os aviões utilizam motor padrão pré-estabelecido pelo regulamento, de 10cc, e combustível fornecido pela SAE BRASIL. Já na Classe Aberta, participam estudantes também de pós-graduação, que devem desenvolver aviões com mais de um motor, até o limite de 15,08 cilindradas, sem restrições de envergadura.

A avaliação e classificação das melhores equipes são feitas em duas etapas: Competição de Projeto – que envolve a preparação de relatório descritivo, plantas de projeto e uma apresentação técnica para uma comissão de juízes especializados em Engenharia Aeronáutica – e Competição de Vôo, em que as equipes fazem os aviões, comandados por rádio, levantar vôo.

A Competição SAE Brasil AeroDesign é uma iniciativa da Seção São José dos Campos da SAE Brasil e tem o apoio institucional do Ministério da Educação por alinhar-se e vir ao encontro de objetivos das políticas e diretrizes do Ministério.

Sociedade de Engenheiros da Mobilidade

A SAE Brasil é uma associação sem fins lucrativos e que congrega pessoas físicas (engenheiros, técnicos e executivos) unidas pela missão comum de disseminar técnicas e conhecimentos relativos à tecnologia da mobilidade em suas variadas formas: terrestre, marítima e aeroespacial.

A SAE BRASIL foi fundada em 1991 por executivos dos segmentos automotivo e aeroespacial, conscientes da necessidade de se abrirem as fronteiras do conhecimento para os profissionais brasileiros da mobilidade, em face da integração do País ao processo de globalização da economia, ora em seu início, naquele período.