Projetos de cogeração de energia que totalizam uma capacidade de 3 gigawatts (GW) no Estado de São Paulo estão impedidos de sair do papel devido à falta de gás no mercado, afirmou na terça-feira no Rio o presidente da Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia (Abiape), Mário Menel.

De acordo com o executivo, o gás disponível hoje é insuficiente e o alto preço do insumo inviabiliza a execução dos projetos. “Você não vai fazer um investimento se não tem uma garantia de preços, de como vai ficar esse preço no horizonte mais longo, e se vai ter disponibilidade do gás”, disse, depois de participar do 2º Seminário de Matriz Energética, na Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Ele argumentou que nem a Petrobras, principal fornecedora do insumo, sabe ao certo quanto gás terá disponível no futuro, uma vez que a estatal precisa injetar novamente nos poços parte do produto para viabilizar a produção de óleo e gás.

A escassez do insumo também tem dificultado a entrada de térmicas a gás nos leilões de energia. Por serem produtoras de gás natural, apenas a Petrobras e a MPX tiveram seus projetos de usinas térmicas movidas com o produto contratados na íntegra, no leilão A-3 realizado no ano passado.

Menel também criticou a indefinição do governo em torno das concessões de geração, transmissão e distribuição que vencerão em 2015, e disse que a falta de clareza sobre o que será feito atrasa investimentos previstos pelas empresas. “Vejo problema no fato de isso travar investimentos, num momento em que o País está precisando de investimentos.”

Na avaliação dele, a impossibilidade de se antever variáveis como a capacidade de abastecimento e preço impedem até mesmo que as companhias obtenham financiamento para seus projetos. “Quando você chega no BNDES, o banco quer saber de onde vem a energia e a que preço. Para emprestar dinheiro, ele quer saber se aquela expansão que você vai fazer tem viabilidade.”

Embora o mercado acredite que as concessões que vencerão em 2015 serão renovadas, e não novamente licitadas, o governo não deu qualquer demonstração concreta de que essa será sua decisão.

Para o presidente da Abiape, a colocação dos ativos em licitação põe em risco a estrutura empresarial existente. Menel declarou que, as companhias ficariam sem os ativos, mas continuariam existindo, tendo que pagar suas dívidas, por exemplo.