Phillippe Beutin: menos carbono na atmosfera.

O uso maciço de fontes alternativas de energia como a solar, eólica e a biomassa poderia poupar a atmosfera do lançamento anual de 4 toneladas de carbono. O apontamento foi feito pelo engenheiro francês Philippe Beutin, durante o encontro sobre energias alternativas promovido quarta-feira (30) pela Copel em Curitiba, em parceria com a Associação Brasileira de Profissionais Especializados na França.

Além da experiência européia, também foram apresentados os projetos desenvolvidos no Paraná pela Copel visando fomentar o uso das energias alternativas e renováveis. Dario Jackson Schultz, gerente da área da empresa que cuida do assunto, apresentou a experiência da Copel com essas fontes, incluindo a Usina Eólica de Palmas e o sistema fotovoltaico instalado nas ilhas do litoral norte do Estado. Esses projetos coincidem com as principais ações desenvolvidas na Europa, exceção feita ao recente uso da geotermia (calor extraído de lençóis aquecidos) e dos sistemas eólicos marítimos.

Entre os maiores produtores no mundo de energia a partir do vento estão a Alemanha, Espanha e os Estados Unidos. “Os alemães têm em aerogeradores 12 mil megawatts de potência instalada, ou o equivalente a uma usina de Itaipu e com menores impactos ambientais, enquanto o Brasil todo possui 22 megawatts”, compara Dario. “Mas é preciso ver que a nossa principal matriz é a água, com mais de 90%, enquanto os europeus não têm espaço físico para construir grandes usinas nem possuem o mesmo potencial hidrelétrico que o nosso. Portanto, para eles a água é uma fonte alternativa.”

Os dois conferencistas são unânimes ao apontar as barreiras comuns ao desenvolvimento das energias: a questão tecnológica, os investimentos e as limitações operacionais dos sistemas elétricos.

Novos rumos

Enquanto o mercado aguarda a apresentação do novo modelo institucional do sistema elétrico brasileiro, projetos para instalação de novas centrais geradoras permanecerão engavetados. O surgimento do Proinfa – Programa de Incentivo às Novas Fontes Alternativas, criado pela Lei 10.438 de 2002, poderia impulsionar projetos de geração com o uso de biomassa, vento e pequenas centrais hidrelétricas, ampliando as possibilidades do País em produzir energia a partir de outras matrizes.

A evolução do mercado levou a abertura progressiva do sistema elétrico europeu à iniciativa privada, trazendo agilidade na assimilação de novas tecnologias e a incorporação de melhorias no sistema como um todo. A visão européia sobre o sistema brasileiro demonstra que, além da abertura do mercado, é preciso ver as fontes alternativas a partir de objetivos pré-determinados. “Acho que o Brasil poderia adotar as energias alternativas como uma opção na ampliação do parque gerador e da matriz energética, enquanto nós, europeus, o fazemos por uma questão política”, afirma Beutin.

Energias do futuro

Com o esgotamento dos recursos não-renováveis como o petróleo, Philippe Beutin aponta a biomassa e o uso do gás natural, seguido a passos mais lentos do uso da energia solar, não mais como alternativa mas como as únicas fontes do futuro. “Acredito que a biomassa oferece, até o momento, a melhor forma de extração de energia, pois é o aproveitamento de um resíduo que pode gerar eletricidade, calor e ainda os biocarburetos que podem servir de aditivos, aproveitando-se dele quase tudo.” O sistema fotovoltaico (que transforma a luz do sol em eletricidade), apesar de ser energia limpa e de graça, ainda não oferece tecnologia acessível e de maior penetração, devendo levar mais alguns anos para se popularizar. Outros exemplos mostrados pelo engenheiro são os sistemas de caldeiras alimentadas por energia solar e gás natural, a geotermia e a energia eólica marítima.

A energia geotérmica é conseguida através da extração de águas aquecidas (entre 80 e 100 graus) de lençóis freáticos. Mas isso só seria possível em regiões que apresentam algum tipo de movimentação das placas tectônicas, o que não inclui o Brasil. Já a experiência de países como Dinamarca e Suécia na construção de usinas eólicas em alto-mar representam a evolução do sistema, adaptando-o para melhores resultados.