Foto: Daniel Derevecki

Veneri com o mapeamento: falta discussão.

A economia solidária é uma economia de inclusão social. Pequenos grupos se unem para conseguir mais trabalho e mais renda. E quem parte para os empreendimentos de economia solidária (EES) são integrantes das camadas mais básicas da população, o que reforça a necessidade de apoio nesta área. No Paraná, até este ano, foram identificados 808 empreendimentos desse tipo, em 142 municípios de todas as regiões do Estado. Somente de 2006 para 2007, houve um aumento de 158 empreendimentos. Estes são dados apresentados no Mapeamento da Economia Solidária no Paraná, lançado ontem.  

De acordo com o levantamento, o número total de trabalhadores em EES é de 4.900, sendo 37% mulheres e 63% homens. As principais atividades dentro da economia solidária são agropecuária, alimentos, prestação de serviços, artesanato, confecção, entre outros. A principal fonte de insumos provém de empresas privadas. Mas os EES também contam com recursos dos próprios associados e de doações. ?Este é o primeiro mapeamento sobre a economia solidária. A intenção foi verificar gargalos, a distribuição espacial e outros itens. O mapeamento vai permitir o estabelecimento de rumos e ações para a economia solidária?, explica o delegado substituto da Delegacia Regional do Trabalho no Paraná (DRT/PR), Sérgio Silveira de Barros.

Uma das dificuldades dos EES é a comercialização de seus produtos e serviços. Para 471 empreendimentos do Paraná, o mercado local comunitário é o principal local para comércio. Somente 12 comercializam produtos para todo o Brasil e 6 exportam. ?A sociedade consumidora precisa conhecer a economia solidária e saber que os empreendimentos fazem produtos e serviços de boa procedência e com boa qualidade. Não adianta apenas produzir, é preciso vender para gerar renda. E a economia solidária necessita entrar mais no mercado consumidor?, afirma Barros.

O acesso ao crédito se tornou outro empecilho para os EES. O levantamento aponta que 108 empreendimentos acessaram o valor total de R$ 41.377.699,00. Mas a maior parte desse recurso tem o impacto das cooperativas de crédito. A pesquisa indica que 58% dos EES apresentam necessidade de crédito. Mas eles não conseguem o empréstimo porque, além dos bancos não oferecerem linhas específicas de crédito, são prejudicados pela falta de documentação, taxas de juros elevadas, burocracia dos agentes financeiros, elaboração falha de projetos e falta de garantias.

O Mapeamento da Economia Solidária no Paraná foi produzido pelo Ministério do Trabalho, Associação Nacional de Trabalhadores e Empresas em Autogestão e Instituto de Filosofia da Libertação. O projeto também contou com o apoio de diversas entidades e órgãos públicos.

Frente

Durante a apresentação da pesquisa, no plenarinho da Assembléia Legislativa, foi lançada a Frente Parlamentar de Economia Solidária, que será presidida pelo deputado Tadeu Veneri. ?Hoje não existe uma lei que caracterize a economia solidária e temos dificuldades em criar projetos tanto em âmbito municipal quanto estadual. Assim, a frente vai disseminar as idéias para chegar em projetos e mecanismos. Hoje, a economia solidária ainda é pouco discutida?, avalia o deputado.