São Paulo – A terça-feira foi de compasso de espera nos mercados de câmbio e juros, que concentram as atenções na decisão sobre a taxa Selic, hoje. Graças a um fluxo cambial ligeiramente positivo e ao bom desempenho do C-Bond, o dólar à vista fechou em baixa de 0,46%, cotado a R$ 2,986 na compra e R$ 2,988 na venda. É a menor cotação desde o último dia 8. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o juro projetado para agosto terminou o dia em 22,92% ao ano, contra os 24,50% da taxa vigente.

O dia foi fraco em termos de notícias do cenário interno. Com isso, as atenções se voltaram principalmente ao atentado à sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Bagdá, no qual morreu o embaixador brasileiro Sérgio Vieira de Mello, chefe da missão. O atentado mexeu com o mercado internacional, mas não chegou a ter reflexos fortes nos ativos brasileiros. No final da tarde, o C-Bond subia 0,70%, cotado a 88,68% do seu valor de face. O risco-país caía 1,56%, aos 753 pontos-base.

Os analistas também discutiram a rolagem de uma dívida cambial do governo que vende no dia 1.º. O Banco Central (BC) deve iniciar hoje a rolagem do vencimento, que totaliza US$ 930 milhões. A expectativa é de uma rolagem pequena, a exemplo do que ocorreu na semana passada, quando o BC renegociou apenas 24,1% de uma dívida de US$ 1,3 bilhão. Mesmo com a rolagem pequena, o dólar não foi pressionado.

– O mercado monitorou outros assuntos, mas o que importou mesmo foi o Copom. A expectativa reduziu o volume de negócios, já que há apostas em 1,5 e 2 pontos de queda na Selic – disse João Medeiros, diretor da Piooner Corretora.

Medeiros apostava em um corte de 1,5 na Selic, mas ontem mudou seu palpite para 2 pontos. A influência veio do discurso do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. O presidente do BC afirmou que gradualismo na política monetária não necessariamente quer dizer rigidez ou inflexibilidade.