O dólar começou outubro em alta, com os investidores monitorando a votação da reforma da Previdência no Senado. A valorização foi influenciado também pela repercussão negativa da piora do índice de atividade industrial dos Estados Unidos (ISM, na sigla em inglês) de setembro, que aumentou temores de fraqueza da economia mundial e provocou fuga de ativos de risco. O indicador teve em setembro o pior número em 10 anos. Com isso, o dólar se enfraqueceu perante moedas fortes, como o euro e o iene, e subiu perante a maioria dos emergentes. Aqui, a moeda americana terminou o dia cotada em R$ 4,1619, em alta de 0,16%.

A moeda americana operou em alta durante todo o dia e bateu máxima pela manhã, a R$ 4,1847, e só chegou a ensaiar queda no momento do anúncio da aprovação da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, sem desidratação fiscal adicional. Com isso, caiu a R$ 4,1536 (-0,03%). O movimento durou pouco, mas o ritmo de alta à tarde foi menor que pela manhã, com as mesas de câmbio monitorando as discussões da Previdência em Brasília. Houve ameaça de parar a tramitação do texto após a votação em primeiro turno, em meio a uma insatisfação no Senado com o temor da divisão dos recursos do megaleilão da cessão onerosa ser alterada na Câmara.

O diretor de câmbio da Ourominas, Mauriciano Cavalcante, ressalta que o interesse principal do mercado era acompanhar eventual redução do impacto fiscal da reforma. Havia ainda o temor de novos atrasos na tramitação, como ocorreu na semana passada e provocou estresse no mercado. O texto começou na Câmara com economia de R$ 1,2 trilhão em 10 anos e está com R$ 870 bilhões. A votação no primeiro turno deve acabar nesta terça até 22h e, segundo o presidente da casa, Davi Alcolumbre, não deve ocorrer mais redução do impacto fiscal.

O dólar tem oscilado nos últimos dias entre R$ 4,15 e R$ 4,19, sem um catalisador mais forte para tirar deste patamar, nem para cima nem para baixo. Cavalcante diz que as atenções estão voltadas para próximo dia 10, quando China e Estados Unidos se reúnem para discutir um acordo comercial. Se o resultado da reunião for favorável, a moeda americana pode cair para perto de R$ 4,10. Já se as conversas não evoluírem, o dólar pode testar novas máximas.

Dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Internacional de Finanças (IIF), com sede em Washington, mostram que os fluxos internacionais de capital para emergentes este ano oscilaram ao sabor das conversas entre a Casa Branca e Pequim. Em maio e agosto, com piora da tensão comercial, houve forte saída de recursos dos emergentes, pressionando as moedas destes países. Em setembro, com a sinalização de progressos, houve entradas de US$ 37,7 bilhões nestes mercados, dando alívio às moedas.