O dólar fechou a segunda-feira em queda de 1,11%, a R$ 4,0620, menor nível desde 5 de novembro. O exterior positivo, após a divulgação de bons indicadores da China, e um renovado otimismo com economia brasileira, que atraiu fluxo externo, estimularam a venda de dólares e a desmontagem de posições contra o real no mercado futuro. Com isso, o real foi a moeda com melhor desempenho ante o dólar em uma cesta de 34 divisas.

Investidores estrangeiros reduziram em mais US$ 643 milhões suas apostas contra o real no mercado futuro de dólar e cupom cambial na sexta-feira, segundo dados da B3. Somente nos primeiros quatro dias da semana passada, estes agentes cortaram estas apostas em US$ 3,4 bilhões. Com isso, o estoque de posições compradas está agora em 590 mil contratos, um dos menores níveis do ano, o equivalente a US$ 29,5 bilhões.

“O cenário para o Brasil está bem mais positivo, com maior entrada de dólares”, disse o responsável pela área de câmbio da Terra Investimento, Vanei Nagen. Bancos, como BTG Pactual, Morgan Stanley, Citi, Bradesco e JPMorgan, têm revisado as projeções de crescimento para o Brasil e divulgado análises otimistas.

O JP, por exemplo, segue com aposta “overweight” (acima da média do mercado) no País e vê o Brasil como uma das principais apostas nas bolsas dos emergentes no ano que vem, junto com China, Coreia do Sul, Rússia e Indonésia. “É nestes mercados que nossos analistas estão mais otimistas (‘bullish’)”, ressalta relatório do banco. Já para mercados como Chile e México o banco americano está mais pessimista.

A pressão de uma “prolongada guerra comercial” entre os EUA e a China está diminuindo, após os acertos da semana passada e, no Brasil, “as reformas estruturais deste ano tornam a economia brasileira uma das mais atraentes em 2020”, ressalta o analista de mercado financeiro da Oanda, Alfonso Esparza, em relatório. Nesse clima de otimismo, o Credit Default Swap (CDS) de cinco anos do Brasil caiu hoje ao nível de 96 pontos, nas mínimas desde 2010, de acordo com cotações da IHS Markit.