O dólar no mercado à vista passou a exibir viés de alta na manhã desta quarta-feira, 27, após uma abertura em baixa. O mercado segue focado no Banco Central (BC), após os dois leilões extraordinários de dólar no mercado à vista na terça-feira, 26, como consequência do salto da moeda até a máxima intraday de R$ 4,2274 (-0,30%).

Nos primeiros negócios, a moeda americana teve alívio, após o salto na terça até R$ 4,2772 com o estresse dos investidores após as declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que não está preocupado com o dólar acima de R$ 4,20 e que seria “bom se acostumar com o câmbio mais alto e juro mais baixo por um bom tempo”. Mas o Banco Central fez dois leilões de venda de moeda spot e a cotação no fechamento ficou em R$ 4,240.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse no fim da tarde desta terça que se a instituição entender de novo que há um movimento disfuncional e que há gap de liquidez no mercado, voltará a intervir. “Mas essas intervenções não têm capacidade de alterar movimentos de longo prazo, que tem como origem bases macroeconômicas. Elas apenas atenuam o movimento de curto prazo”, completou.

Profissionais do mercado ouvidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, disseram que Campos Neto quis ressaltar que o BC não atua no mercado de câmbio para segurar o preço do dólar, mas sim para atenuar o movimento, corrigindo distorções.

No exterior, o índice DXY, que mede a variação do dólar em relação a uma cesta de outras seis moedas fortes, operava em leve alta, com os sinais encorajadores das negociações comerciais entre Estados Unidos e China. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta terça-feira que Washington e Pequim estão próximos de selar um acordo comercial preliminar. Contudo, na China, O lucro das grandes empresas industriais caiu 9,9%, reagindo ao efeito negativo da prolongada disputa comercial sino-americana, iniciada há 16 meses.

No mercado à vista, às 9h40 desta quarta-feira, o dólar tinha viés de alta, a R$ 4,2409 (+0,02%). O dólar futuro de dezembro subia 0,13%, a R$ 4,2405, ante mínima mais cedo em R$ 4,2265 (-0,20%). Em Nova York, o índice DXY avançava 0,07%, a 98,342 pontos, enquanto que o dólar operava sem direção única frente as divisas emergentes ligadas a commodities.