Aqueles que encontram trabalho, freüentemente
enfrentam contratos temporários.

O estudo “Tendências Globais do Emprego para a Juventude 2004” descobriu que o crescente desemprego em todo o mundo atingiu mais as pessoas jovens, em especial as mulheres. Aqueles que encontram trabalho, freqüentemente enfrentam longas horas de trabalho, contratos temporários ou informais, baixa remuneração e pouca ou nenhuma proteção social, como previdência ou outros benefícios sociais. Assim, os jovens se tornam cada vez mais dependentes de suas famílias e mais suscetíveis a atividades ilegais, afirma o relatório.

O relatório indica que a taxa de desemprego global de jovens em 2003 estava em 14,4%, um aumento de 26,8% em relação à taxa observada durante a última década. As taxas de desemprego de jovens em 2003 foram mais altas no Oriente Médio e Norte da África (25,6%), seguidos da África Sub-Sahariana (21%), as economias em transição (18,6%), América Latina e Caribe (16,6%), Sudeste da Ásia (16,4%), Sul da Ásia (13,9%), as economias industrializadas (13,4%), e Oeste da Ásia (7%). A região das economias industrializadas foi a única região onde o desemprego de jovens sofreu uma pequena redução (de 15,4% em 1993 para 13,4% em 2003).

O estudo mostra que o crescimento do número de pessoas jovens está rapidamente superando a habilidade das economias de prover emprego para eles. Enquanto a população jovem como um todo cresceu cerca de 10,5% nos últimos dez anos chegando a cerca de 1,1 bilhão em 2003 o emprego de jovens cresceu somente 0,2%, atingindo cerca da 526 milhões de oportunidades de emprego. Somente uma parte dessa diferença pode ser explicada pelo fato de que um número maior de jovens está buscando mais anos de escolaridade.

As pessoas jovens também têm mais dificuldade de encontrar trabalho do que os adultos, afirma o relatório, com uma taxa em 2003 de desemprego global 3,5 vezes maior do que a taxa de desemprego dos adultos. Enquanto existe uma correlação na maioria dos países entre tendências das taxas de desemprego de jovens e adultos, o estudo percebe que durante os períodos de recessão, o desemprego dos jovens tende a crescer mais do que o dos adultos.

A desvantagem relativa dos jovens é mais pronunciada nos países em desenvolvimento, onde eles formam uma proporção muito maior da força de trabalho do que nas economias industrializadas. 85% dos jovens em todo o mundo vivem nos países em desenvolvimento, onde eles são 3,8 vezes mais suscetíveis ao desemprego do que os adultos, em comparação a 2,3 vezes nas economias industrializadas.

O relatório também afirma que a taxa de participação dos jovens na força de trabalho diminuiu no mundo como um todo em cerca de 4 pontos percentuais na última década. Tal comportamento pode ser explicado, primeiro, pelo fato dos jovens permanecerem mais tempo na escola, e, segundo, pela decisão de sair do mercado de trabalho em conseqüência da frustação causada pela falta de oportunidades de emprego. A participação dos jovens é maior na Ásia Oriental (73,2%), África Sub-Sahariana (65,4%), e menor no Oriente Médio e Norte da África (39,7%).

O estudo indica que os jovens, além de terem menores chances de encontrar trabalho, enfrentam também discriminação baseada na idade, sexo e origens socioeconômica. Nos mercados de trabalho da maioria dos países, os grupos étnicos dominantes se saem melhor, e o estudo descobriu também que, em geral, os jovens de famílias mais pobres são mais propensos a ficarem desempregados.

O caso brasileiro

No Brasil, se observa a mesma realidade, com o desemprego juvenil sendo significativamente mais elevado que desemprego entre trabalhadores com mais de 24 anos. Segundo os dados da Pnad, referentes ao período 1992-2001, a taxa de desemprego das pessoas com mais de 16 anos variou entre 6 e 9%. Para este mesmo período, a taxa de desemprego entre os jovens de 16 a 24 anos aumentou de 11,7% para 17,7%, enquanto que a taxa entre adultos (acima de 25 anos) a variação foi 4.25% para 6,44%.

No entanto, estas médias revelam um quadro ainda mais drástico se desmembrado por gênero e raça. A taxa de desemprego entre as jovens mulheres negras alcançou, em 2001, 25%, superando a das mulheres jovens brancas (19,9%). A taxa de desemprego entre os jovens negros é menor que a taxa entre as mulheres jovens brancas (15,4%) enquanto que os jovens homens brancos retêm uma posição menos pior (13,6%) .

Possibilidades dependem do crescimento

Nas regiões em desenvolvimento que têm a maior participação de jovens na população em idade de trabalho o destino dos jovens entrando no mercado de trabalho nos próximos anos irá depender da taxa de crescimento da economia, assim como de uma melhora do crescimento do emprego. Nas economias industrializadas, onde a população jovem tende a diminuir, os efeitos das mudanças demográficas provavelmente irão reduzir o desemprego juvenil.

Mas o relatório alerta que isto não irá acontecer automaticamente. Faz-se necessário que políticas integradas estejam perfeitamente articuladas com políticas dirigidas especificamente ao emprego de jovens como instrumento de superação da desvantagem natural os jovens em relação aos trabalhadores mais idosos e com mais experiência.

Estas políticas foram identificadas pela Rede de Emprego de Jovens (YEN), uma iniciativa do secretário geral das Nações Unidas, em parceria com o Banco Mundial e a OIT, localizada na sede da OIT em Genebra. Criada em seguimento à Assembléia do Milênio, a Rede têm respondido ao crescente desafio do emprego para os jovens, reunindo competências, experiências e conhecimentos de diversos parceiros nos níveis global, nacional e local.

A YEN promove o desenvolvimento de Planos de Ação Nacionais sobre o emprego de jovens entre um grupo de “países líderes”. Até o momento, 10 países deram um passo à frente no desenvolvimento de políticas nacionais para apresentar soluções inovadoras para enfrentar o desafio do emprego para os jovens. O Brasil, manifestou, em 2003, o seu interesse em aderir a Rede como um dos seus países líderes.

A OIT tem oferecido co-operação técnica e aconselhamento político aos países nesta parceria. Uma dessas ferramentas foi o recém-lançado guia “Aumentando as chances pra jovens homens e mulheres no mundo do trabalho” , que especifica considerações básicas, mudanças e experiências que podem ser desenhadas para desenvolver e implementar políticas, incluindo Planos Nacionais de Ação para o emprego de jovens.