A Copa do Mundo de 2014 será uma oportunidade para resolver problemas de infraestrutura, logística e capacitação de mão de obra no Estado de São Paulo. Esta foi a conclusão de especialistas que se reuniram hoje na Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP).

De acordo com a Fecomercio-SP, a média anual de crescimento da demanda por transporte aéreo foi de 7,6% nos últimos 20 anos. Para o presidente do Instituto de Estudos Estratégicos e de Políticas Públicas em Transporte Aéreo, Respício do Espírito Santo Júnior, o “abandono” do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, é prova da incapacidade do governo e da Infraero em acompanhar o desenvolvimento do País. “Desde 1985, quando foi inaugurado, o aeroporto de Cumbica não passou por nenhuma ampliação. O maior aeroporto do País, a porta de entrada do Brasil, está abandonada”, afirmou. Para os especialistas, como a oferta não acompanhou o crescimento da demanda, as soluções seriam a privatização dos aeroportos ou a abertura para a livre concorrência do setor.

Outro assunto tratado no encontro foi a qualificação da mão de obra. No caso da segurança pública, de acordo com a entidade, as polícias civil e militar terão mais de 144 mil homens nas ruas de São Paulo durante a Copa – na Copa do Mundo da África do Sul, por exemplo, foram apenas 40 mil em todo o país. A Polícia Civil está modernizando as quatro delegacias especiais que possui para atender os estrangeiros – Congonhas, Cumbica, Viracopos e também no Porto de Santos, pontos de acesso estratégico para os turistas que virão assistir aos jogos da Copa.

Os policiais que trabalham no atendimento de chamados de emergência vão receber treinamento para atender chamados em outras línguas durante a Copa. O serviço já é realizado em inglês, espanhol, francês e chinês em eventos internacionais, como no Grande Prêmio de Fórmula 1.

O Serviço Nacional da Aprendizagem Comercial (Senac) pretende treinar aproximadamente um milhão de pessoas até a Copa do Mundo para complementar a formação e adequar os alunos às demandas momentâneas. O diretor da Administradora Rio Vermelho, Carlos Nascimento, que esteve na reunião, acredita que o maior ganho do Brasil com a realização do Mundial virá dos investimentos futuros, motivados pela exposição do País durante os jogos, além dos investimentos diretos na infraestrutura.