Dentre os três setores de atividade pesquisados pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae), o comércio registrou o maior avanço no faturamento real em 2007, em relação ao ano anterior. A alta do setor foi de 8,6%, puxado pelo varejo de alimentos e vestuário.

A indústria, que teve um crescimento mais discreto, apresentou elevação de 1,7% na receita no período. Já o setor de serviços não acompanhou o bom desempenho e fechou o ano com queda de 3% no faturamento real.

Apesar do fraco desempenho do setor de serviços no acumulado do ano passado, o segmento apresentou indícios de melhora no último mês de 2007, segundo a entidade. Na variação mensal (dezembro ante novembro de 2007), houve uma recuperação de 3,3% no faturamento. Esse crescimento foi concentrado principalmente nas atividades prestadas ao consumidor final, como a de lanchonetes, restaurantes, hotéis e cabeleireiros.

O gerente do Observatório das MPEs, Marco Aurélio Bedê, acredita que o maior nível de vendas em 2007 e o repasse das comissões às equipes, concentrada no final do ano, explicam os resultados observados na pesquisa.

Trabalhador

"No final de cada ano, o rendimento médio dos trabalhadores em micro e pequenas é fortemente influenciado pelas comissões de vendas e pelo pagamento do 13º salário. Como o faturamento das empresas do último mês do ano foi muito superior ao de dezembro de 2006 (12,6% maior), o impacto em termos de pagamento de comissões foi muito expressivo para os trabalhadores do comércio" destacou Bedê.

O levantamento do Sebrae apontou também o movimento do nível de ocupação nos pequenos negócios em 2007 ante o ano anterior. De acordo com a pesquisa, as MPEs tiveram acréscimo de 0,1% no quadro de colaboradores, o que representa um incremento de cerca de 8.088 novas vagas durante o ano passado. A entidade estima que em 2007 os pequenos negócios geraram 5,6 milhões de postos de trabalho.

O rendimento médio dos empregados em dezembro do ano passado foi de R$ 1.177, o que representa um acréscimo de 13% em relação ao registrado em dezembro de 2006 – sendo o mais alto em 10 anos.

Já o gasto com salários no ano passado também bateu recordes: atingiu R$ 26.912,00, o mais alto desde 2003, quando foi registrado uma média de R$ 22.958,00 por empresa. De acordo com o Sebrae, em cinco anos, o total pago em salários pelas empresas cresceu em média 17%.