As expectativas dos empresários do comércio atacadista e varejista e da prestação de serviços do Paraná, com relação ao primeiro semestre de 2005, são muito boas. Pesquisa realizada pela Federação do Comércio do Paraná, que remeteu questionários a 1.800 empresas de todas as regiões do Estado, de diferentes dimensões (pequenas, médias e grandes), entre os dias 22 de novembro e 10 de dezembro do ano passado, permite concluir que os setores têm "um desejo muito forte em torno da concretização de melhoria da conjuntura econômica como um todo", diz o presidente da entidade, Darci Piana.

Existem fatores que permitem justificar essa melhoria da expectativa, pois enquanto no ano de 2004 (a pesquisa foi realizada no final de 2003), 78,24% esperavam um primeiro semestre melhor, neste ano o percentual daqueles que estão otimistas quanto às respostas da economia com relação às vendas chega a 87,50%, maior mesmo que o otimismo demonstrado quanto ao segundo semestre do ano passado, quando eram 84,44% dos empresários ouvidos aqueles que acreditavam que o comércio venderia mais nos seis últimos meses do ano. Entre os 87,50% que esperam vendas melhores, quase a metade (49,11%) afirmam que elas serão entre 5% e 10% superiores às do segundo semestre do ano passado. O restante (50,89%) consideram que elas serão, ou de 0% a 5% maiores, ou acima de 15% a mais que no segundo semestre do ano passado.

Mas os empresários continuam reclamando dos mesmos problemas detectados na pesquisa anterior. Consideraram, por exemplo, que as dificuldades da empresa para enfrentar a concorrência se centralizam principalmente na elevada carga tributária (78,13%), nos encargos sociais elevados (61,72%) e na falta de recursos próprios para capital de giro (31,25%). E incluíram entre as ameaças para o negócio, neste ano, a concorrência desleal (56,25%), a taxa de juros – custo elevado do capital de giro – (39,06%) e a inadimplência (35,94%).

Entre os fatores que estimulam o otimismo estão: melhoria do nível de emprego no decorrer de 2004; crescimento contínuo da produção industrial; desempenho positivo a cada mês no ano passado, das vendas no varejo paranaense, na comparação com mesmo período de 2003; efeitos multiplicadores positivos decorrentes do desempenho muito bom do agronegócio; exportações crescentes; perspectiva de queda nos juros; taxas de inflação em queda.

Alerta

Quanto aos investimentos previstos para este ano, a maioria considera que eles serão feitos nas instalações da empresa (50%). Recursos Humanos, Informatização e equipamentos aparecem na seqüência.

"Temos que estar alertas, porém, para alguns itens que podem merecer atenção especial neste ano, em meio aos bons fluídos do ano novo", acentua Piana. Destaca, entre eles, "a queda do valor da soja no mercado internacional, o aumento da safra americana da oleaginosa e a cotação do dólar que, em queda nos dois últimos meses do ano, se continuar assim causará ainda maiores limitações às exportações brasileiras, estimulando as importações, afetando de forma negativa a balança comercial".