Os preços de referência de energia elétrica no mercado atacadista caíram para R$ 150,54 por MWh para os negócios a serem concluídos na semana que vem, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Os preços serão válidos nos quatro submercados (Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Norte e Nordeste) e representam queda de 17% em relação ao patamar atual.

Em relação aos preços vigentes há um ano, porém, os níveis atuais registraram aumento de 90% para os negócios concluídos no Sudeste/Centro-Oeste, Sul e Norte, já que o MWh estava cotado a R$ 79,56 nessas três regiões em novembro de 2006. No Nordeste o aumento foi de 555%, já que o preço de referência na região em meados de novembro do ano passado estava em R$ 22,99. Em 2005, os preços estavam ainda mais baixos, situando-se em R$ 37,24 no Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste, R$ 33,28 no Sul e R$ 21,36 no Nordeste.

A queda esta semana reflete o maior volume de chuvas nos últimos dias, especialmente na região Sul. As chuvas no Sul neste mês de novembro estão 89% acima da média histórica de longo prazo, atingindo 19.731 MW médios, muito acima do consumo normal da região, que situa-se em torno de 9.000 MW médios diários. Com isso, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) está transferindo 1.059 MW médios do Sul para o Sudeste, permitindo poupar água das hidrelétricas do Sudeste. Os reservatórios do Sul estão em 73,6% da capacidade máxima de armazenamento, o que dá uma folga de 60,6 pontos porcentuais em relação ao limite mínimo fixado pelo governo.

Na região Sudeste/Centro-Oeste, onde estão as hidrelétricas que representam dois terços da capacidade de armazenamento do País, as chuvas aumentaram nos últimos dias, especialmente nas bacias dos rios Paranapanema e Tietê, em São Paulo, além dos rios Grande e Paranaíba (Minas Gerais e Goiás).

Nordeste

No Nordeste, porém, as chuvas continuam bem abaixo da média histórica. Conforme acompanhamento do ONS, a energia natural afluente (volume de chuvas) no Nordeste está em torno de 2.018 MW médios neste mês de novembro, bem abaixo do consumo médio de 8.000 MW médios da região nos dias úteis. Com isso, os reservatórios do Nordeste estão perdendo água em ritmo mais acelerado. Pelos dados do ONS as hidrelétricas da região estão com 34,3% da capacidade máxima de armazenamento, o que representa queda de 5,9 pontos porcentuais nas duas primeiras semanas de novembro.

A situação no Nordeste ainda é confortável, já que o volume atual representa uma folga de 22,8 pontos percentuais em relação à curva de aversão ao risco, que é o limite mínimo fixado pelo governo para os reservatórios regionais. O ONS não está podendo transferir energia do Sudeste para o Nordeste, pois está direcionando mais energia do Sudeste para a região Norte, que também vive um período de seis meses de falta de chuvas. O reservatório de Tucuruí, por exemplo, está com apenas 18,2% da capacidade de armazenamento. Ontem o ONS transferiu 1.880 MW médios do Sudeste para o Norte, o que representa cerca de 60% do consumo do sistema interligado da região Norte.

Térmicas

O ONS aumentou o volume de geração de energia elétrica a partir das usinas térmicas nesse mês de novembro. Ontem, por exemplo, as usinas térmicas geraram o equivalente a 9% do consumo nacional, o que é mais do que o dobro do normal. Nesse total estão incluídas as usinas movidas a gás natural, carvão e nuclear. A geração hidrelétrica atingiu 90,83% do total (dos quais 20,15% de Itaipu). A energia eólica movimentou 81 MW médios, representando 0,17% do total consumido no País.