Foto: Daniel Derevecki

Banana, o segundo maior vilão de preços neste ano.

No mês de janeiro os consumidores pagaram mais caro pela maioria dos alimentos que compõe a cesta básica. Os preços tiveram alta de 5,63%. Entre os produtos que mais subiram estão o tomate, com alta de 42,86%, a banana com aumento de 32,97% e o feijão preto, que desde julho acumula aumento de 118,75% – em janeiro a alta foi de 25,04%. A novidade foi a queda no preço da carne. Para tentar equilibrar o orçamento, o consumidor tem comprado menos, ou substituído os produtos.

A professora aposentada Dirce Manduca Silva disse que percebeu que o preço da banana subiu nos últimos dias, e apesar de apreciar a fruta, garante que reduziu o consumo. ?Eu gosto, mas como menos?, falou. O mesmo tem feito a psicóloga Rosângela Silva, que não deixou de comprar, mas espera as ofertas para levar uma quantidade maior de bananas para casa.

Já Gérson Luiz Fagundes, que é dono de um restaurante, afirma que sofre com a alta dos produtos na hora da compra, e muitas vezes precisa repassar o aumento para os clientes. ?Alguns produtos eu consigo substituir, como a batata pelo aipim. Mas no caso do tomate, não tenho opção, e tenho que levar independente do preço? reclamou.

De acordo com o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) de Curitiba Sandro Silva a variação climática dos últimos dias, com fortes chuvas e baixas temperaturas, interferiram na produção agrícola, e em conseqüência, nos preços. No caso do tomate, o aumento aconteceu em 15 das 16 capitais pesquisadas pelo Dieese. O maior preço foi registrado no Rio de Janeiro, onde a alta chegou a 75,91%; e a menor, em Aracaju, onde houve queda de 11,50%. O mesmo ocorreu com a banana, que subiu em 13 das 16 capitais pesquisadas. A maior alta foi em Curitiba, sendo que em João Pessoa a fruta teve queda de 9,93%.

No entanto, a carne, que nos últimos dois meses subiu 16,60%, em janeiro registrou queda de 4,50%. Sandro Silva entende que o embargo da União Européia à carne brasileira tem refletido no preço do produto no mercado interno. Também tiveram queda nos preços o arroz (3,05%) e o leite (2,80%). Com as variações de janeiro, Curitiba foi a sétima capital com o maior valor da cesta básica – R$ 197,77. A cesta mais cara foi a de São Paulo (R$ 229,09) e a mais barata em João Pessoa (R$ 159,80).

Preços de produtos de higiene e limpeza interferem na negociação

A queda de 3,08% nos produtos de higiene e limpeza no Paraná em 2007 foram um dos principais argumentos para os trabalhadores negociarem um reajuste salarial de 8%. A partir de fevereiro a categoria, formada por cerca de 50 mil trabalhadores, passa a ganhar R$ 614 – R$ 432 de salário, R$ 157 de vale alimentação e R$ 25 de assiduidade. Isso irá representar um injeção de recursos economia do Estado na ordem de R$ 2,5 milhões.

Segundo o diretor da Federação dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação do Paraná João Gerônimo Filho, o levantamento que o Dieese vez fazendo sobre a evolução dos principais produtos de higiene e limpeza tem influenciado nas convenções coletivas dos trabalhadores do setor. ?Devido a queda nos preços dos produtos conseguimos negociar com as empresas um aumento para os trabalhadores maior que inflação, que foi em torno de 5,38%?, falou.

Em janeiro deste ano, segundo pesquisa do Dieese, os produtos também continuam em queda de 0,70%. Tiveram influência nos produtos de limpeza o sabão em pó (-7,12%) e a esponja de louça (-8,22%). No entanto, nos produtos de higiene os destaques foram para o aumento do preço do papel higiênico (7,13%) e do bronzeador (11,81%). (RO)