A consequência da demissão de Antonio Palocci da Casa Civil para a economia brasileira é que o mercado pode entender a saída do petista como um enfraquecimento da ortodoxia macroeconômica que ele representava no governo, criando um clima de insegurança. A opinião é do mestre em Teoria Política e professor de Economia e Relações Internacionais do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) Diogo Costa. “É possível que o ganho de influência da base de petistas e de outros agentes que não concordam com a política econômica leve a um clima de insegurança com o mercado”, afirmou.

Para Costa, esse cenário econômico está diretamente ligado às mudanças no campo político e, portanto, poderá refletir no crescimento do poder de barganha do Legislativo frente ao Executivo federal. “O governo Dilma iniciou um ajuste fiscal, sem muitas concessões, e agora ela pode ser forçada a ceder a reivindicações dos parlamentares”, disse. “E se o governo não conseguir garantir a austeridade fiscal e, em consequência, aumentar os gastos por conta das concessões políticas, a insegurança poderá voltar ao mercado”, completou.

Como exemplo do aumento de poder dos parlamentares, Costa citou os casos do kit anti-homofobia, que acabou suspenso após pressão das bancadas religiosas, e do Código Florestal, quando o governo viu sua primeira grande derrota na Câmara. “A torneira fiscal do governo terá de ser mais aberta”, disse, ao destacar a atuação do PMDB nesse cenário. “O PMDB vai aumentar seu poder de barganha e o governo vai ficar mais dependente dos interesses políticos do partido”, afirmou.

Perigo

De acordo com Costa, a crise provocada pelas suspeitas de enriquecimento ilícito contra Palocci deverá diminuir gradualmente. O problema, segundo ele, é o País atravessar um momento econômico difícil, em razão da volatilidade do mercado internacional. “Isso poderá provocar uma crise política muito mais séria”. “Crises políticas geralmente não têm influência muito grande para a economia do País, mas com uma eventual crise econômica em curso, o cenário muda”, disse.