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Alimentos contribuíram para
o aumento da inflação.

O grupo alimentos e bebidas pressionou a inflação de março em Curitiba, que fechou com variação de 0,66%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC). Foi a maior alta no trimestre; em janeiro, a variação havia sido de 0,52% e, em fevereiro, de 0,02%. Dos sete grupos que compõem o índice, apenas dois – artigos de residência e despesas pessoais – apresentaram queda no mês, de 0,49% e 1,44%, respectivamente. Todos os demais grupos registraram aumento de preços. Os dados são do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) e se referem a famílias que recebem até 40 salários mínimos.

?Os dois grupos (artigos de residência e despesas pessoais) seguraram um pouco a inflação. Não fosse a queda deles, o IPC seria de 0,94%?, apontou o economista Gino Schlesinger, do Ipardes. Segundo ele, a inflação já era esperada para o mês de março, mas em índices menores. ?O grupo alimentos e bebidas subiu muito?, apontou. O grupo apresentou elevação de 2,04% no mês. Os itens que mais contribuíram para o resultado foram batata-inglesa (alta de 13,63%), ovo de galinha (17,22%), frango inteiro resfriado (6,30%), leite pasteurizado (1,86%), mamão (24,63%), tomate (15,28%) e uva (37,56%). A falta de chuva em algumas regiões pode ter influenciado na alta, segundo a coordenadora do projeto IPC, Maria Luiza Veloso.

Outros grupos que apresentaram alta em março foram habitação (0,85%) – especialmente por conta do aumento de tarifas públicas, como energia elétrica e água e esgoto -, vestuário (0,94%), transporte e comunicação (1,38%) e saúde e cuidados pessoais (0,16%). No grupo artigos de residência (-0,49%), contribuíram para a variação negativa a roupa de cama (-7,70%), videocassete (-5,12%) e tapete (-5,67%).

Gasolina e álcool

Individualmente, a gasolina e o álcool foram os itens que mais pressionaram a inflação de março (veja a tabela). Em Curitiba, conforme o levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço médio do litro do álcool passou de R$ 1,35, em fevereiro, para R$ 1,46 em março. Também a gasolina subiu, de R$ 2,07, em fevereiro, para R$ 2,30 em março.

Para o economista Gino Schlesinger, a queda do preço da gasolina observada desde a última terça-feira deve compensar o aumento do preço do álcool. Com isso, a expectativa é que a variação nos preços dos combustíveis influencie pouco a inflação de abril. Por outro lado, o grupo vestuário – por conta da entrada da coleção outono-inverno – promete pressionar a inflação de Curitiba este mês. A expectativa, segundo Schlesinger, é que o IPC fique próximo ao registrado em março. No ano (janeiro a março), o IPC acumula variação positiva de 1,20% e, nos últimos 12 meses, alta de 8,80%.

O Índice de Preços ao Consumidor, calculado pelo Ipardes, é divulgado mensalmente e está disponível no site www.ipardes.gov.br . Para o período de referência, foram coletados aproximadamente 80 mil preços de 340 produtos e serviços.

Desemprego sobe para 8,7%

A taxa de desemprego cresceu em Curitiba e Região Metropolitana no mês de fevereiro, passando de 7,7% (em janeiro) para 8,7%, o que representa aumento de 13%. Com isso, o número de pessoas desocupadas e procurando emprego na RMC é de aproximadamente 128 mil, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego divulgada ontem pelo Ipardes, em parceria com o IBGE. Entre as regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE, a RMC foi a que apresentou a terceira menor taxa, atrás somente de Porto Alegre (7,1%) e Rio de Janeiro (8,4%). Já as maiores taxas de desemprego foram constatadas na Região Metropolitana de Salvador (15,6%), seguida por Recife (13,2%), São Paulo (11,5%) e Belo Horizonte (9,9%).

Entre os setores que apresentaram acréscimo no número de pessoas ocupadas, destaque para a construção civil (crescimento de 4,8% sobre janeiro), comércio, reparação de veículos automotivos, de objetos pessoais e domésticos e comércio varejista de combustíveis (1,1%), administração pública, defesa, seguro social, saúde, educação e serviços sociais (7,5%), serviços domésticos (6,5%) e outros serviços (3,9%).

Na outra ponta, os grupos que apresentaram decréscimo no número de pessoas ocupadas em fevereiro foram indústria extrativa e de transformação, produção e distribuição de eletricidade, gás e água (-3,4%) e intermediação financeira e atividades imobiliárias, aluguéis e serviços prestados às empresas (-5,7%).

Quanto ao número de pessoas ocupadas em fevereiro na RMC, 72,6% estavam na condição de empregados, 19,8% trabalhavam por conta própria e 5,5% eram empregadores. Sobre o rendimento médio real, houve um acréscimo de 5,8%, passando de R$ 887,19 em janeiro para R$ 938,60 em fevereiro. (LS)