A percepção de que a crise ficou para trás levou a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas (Abraciclo) a projetar vendas 21% maiores entre outubro e dezembro, comparativamente ao terceiro trimestre deste ano, para 507.133 unidades. No entanto, a estimativa para o exercício de 2009, de 1.670.000 motocicletas vendidas, traduz uma baixa de 18% ante 2008, provocada pela falta de crédito durante os momentos mais agudos da crise financeira global.

O presidente da entidade, Paulo Takeuchi, observa que a estimativa para 2009 fica em linha com as vendas de 2007. “A crise chegou ao fim e o País está em crescimento. O mercado de motocicletas se mostra bastante promissor, especialmente ao se considerar a injeção de R$ 14 bilhões na economia com o 13º salário e a maior oferta de crédito”, afirmou Takeuchi, durante coletiva no Salão Duas Rodas, que abre amanhã ao público e vai até 12 de outubro.

Para a produção, a expectativa da Abraciclo é de aumento de 20% ante o terceiro trimestre, para 529.632 unidades nos três meses finais de 2009. A projeção para o ano, por outro lado, mostra um declínio de 24%, para 1.657.400 unidades produzidas.

Hoje, a Abraciclo divulgou também o desempenho do setor em setembro, quando as vendas em atacado ficaram estáveis sobre agosto, totalizando 147.240 unidades comercializadas. Ao confrontar os números com setembro de 2008, vê-se uma baixa de 21%. A produção em setembro subiu 2,3% em relação a agosto, para 159.075 motocicletas fabricadas. Sobre igual mês de 2008, a baixa é de 24%. Quanto aos emplacamentos no mês passado, avançaram 2% ante agosto, para 139.793 novas motos nas ruas. “Já é muito positivo o fato de a produção estar avançando gradativamente”, destacou Takeuchi. Do lado das exportações, seguem como as mais afetadas. Em setembro, as remessas de motocicletas ao mercado externo caíram 26% na comparação com agosto. Sobre setembro, o declínio é bem mais pronunciado, de 71,5%.

Isenções tributárias

O grande desafio que se coloca, agora, para a Abraciclo é o fim de incentivos fiscais que alavancaram o setor. Em setembro, por exemplo, venceu o prazo para a isenção da Cofins, que agora passa à alíquota de 3%. O presidente da associação diz que vai retomar as negociações com o governo. “Estamos levantando os dados necessários para apresentar ao governo os benefícios que o alívio tributário trouxe ao setor”, afirmou, destacando que não se pode mensurar o aumento dos preços das motocicletas em razão do término do benefício fiscal, pois isso depende da estratégia comercial de cada fabricante. “Alguns devem repassar gradualmente ou postergar o repasse do tributo ao consumidor”, exemplificou. Outro benefício que vigorou até setembro foi a isenção do ICMS no Amazonas. Em dezembro, também expiram incentivos relacionados ao IPVA e à taxa do Suframa.