As perspectivas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) para o desempenho do faturamento em 2012 foram revistas e reduzidas em relação ao projetado no final do ano passado. Antes, era previsto um crescimento do faturamento de 7% a 8%, que caiu para 5%, segundo o presidente da entidade, Luiz Aubert Neto. A redução se deve a dados como o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) de janeiro, que foi de 75,8%, o pior desempenho desde 1990, quando, segundo a Abimaq, a média do ano ficou em 67,8%.

Outro dado classificado como preocupante é o do desempenho da balança comercial do setor que, na previsão de Aubert Neto, deve fechar 2012 com déficit superior a US$ 20 bilhões. “É um outro recorde”, disse, referindo-se as resultados comerciais negativos recordes e consecutivos desde 2009. Por conta do câmbio e do alto custo Brasil, a Abimaq vê cada vez mais a indústria brasileira perdendo competitividade. Aubert Neto citou, por exemplo, que o setor teve, em 2011, um aumento de 46% na importação de máquinas agrícolas. “As máquinas importadas chegam no País a um valor que não paga nem mesmo o nosso custo com a matéria-prima”, afirmou, em entrevista coletiva realizada hoje.

Queda de empregos

O fraco desempenho do setor, segundo Aubert Neto, se reflete no número de empregos da indústria de máquinas e equipamentos. Apesar do ano passado ter mostrado um crescimento de 3,6% do número de vagas, em comparação a 2010, desde outubro de 2011 o setor verificou uma perda de 2.322 postos de trabalho. “Perdemos quase 3 mil empregos em relação a outubro, que foi o pico do ano, e não tenho dúvidas de que a tendência é de mais demissões”, disse.

Segundo ele, os setores que estão perdendo mais vagas são os que apresentaram as maiores quedas no faturamento em janeiro. O principal é o de máquinas têxteis. “Ninguém mais fabrica máquinas da indústria têxtil no Brasil. Aliás, nem máquinas compra. O empresário prefere trazer roupa pronta de fora.”

“Estamos parando nossas máquinas e vendendo as máquinas chinesas aqui no Brasil”, disse Aubert Neto. O presidente da entidade se mostrou preocupado com o câmbio e com a possibilidade de o real se valorizar ainda mais nos próximos meses ante a moeda norte-americana por conta da injeção de liquidez no mercado, que tem sido levada adiante tanto pelos Estados Unidos quanto pela Europa. “Esses 529 milhões de euros que o Banco Central Europeu injetou no mercado vai procurar países com taxas de juros atraentes”, afirmou, ao defender taxação pelo governo brasileiro ao capital especulativo que entra no País.