São Paulo, 23 (AE) – Um dia depois de ter sido afastado do comando da campanha de Marta Suplicy no rádio e na TV, o publicitário Duda Mendonça retornou hoje ao trabalho. À tarde, passou horas em reunião com petistas na sede de sua empresa de marketing político, em São Paulo. Oficialmente, ele reassumiu suas funções na campanha de Marta com poderes. Na prática, porém sabe-se que não é bem assim: todas as decisões tomadas ali passam pelo crivo do marido da prefeita, Luís Favre.

“Ele já está trabalhando normalmente”, afirmou o chefe da Casa Civil, José Dirceu. Para o ministro, a prisão de Duda na quinta-feira à noite, após ter participado de um campeonato de briga de galo, no Rio, “não afeta as campanhas do PT”. O discurso oficial é de que o problema de Duda é pessoal e assim deve ser tratado.

Em conversas reservadas, porém, tanto integrantes do governo como da cúpula do PT afirmam que Duda causou um desgaste desnecessário à campanha de Marta, que já se encontra em inferno astral desde o fim do primeiro turno. O publicitário também disse a amigos, quando estava preso, que estava “triste, constrangido e magoado”.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva gosta muito de Duda, que ainda é o conselheiro do Planalto, mas acha que o marqueteiro foi “irresponsável” ao ir para uma briga de galo no Rio justamente no dia em que estavam sendo divulgadas as pesquisas do Ibope e Datafolha sobre a disputa em São Paulo. Duda foi o marqueteiro que elegeu Lula, em 2002. Hoje, junto com as empresas Lew Lara e Matisse, tem as contas do governo federal no valor de R$ 150 milhões.

Embora em público todos neguem divergências na campanha de Marta, um dos importantes coordenadores do PT não escondeu o mal-estar dos últimos dias. “Se a Marta ganhasse, a vitória seria do Duda. Se ela perder, nós vamos ser os culpados”, afirmou ele, pedindo para não ser identificado.

Estocadas à parte, o gosto de Duda por rinhas de galo provocou reações de todos os lados. O clube Os Independentes, promotor da Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, divulgou nota na qual considera “inadequada” a comparação entre rinha de galo e rodeio, feita por Hélio Santana, advogado de Duda. “Ao contrário da briga de galo, o rodeio é esporte reconhecido e legalizado no país”, diz a nota.