O presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP), afirmou hoje que seu partido, no caso de Luiz Inácio Lula da Silva ser eleito presidente da República, não promoverá controle de câmbio nem fará reestruturação da dívida pública.

A afirmação foi feita a propósito de editorial do jornal britânico Financial Times, para o qual o novo governo brasileiro não poderá furtar-se a considerar se deve ou não impor controles cambiais parciais ou até mesmo reestruturar as dívidas. “Essa pergunta deve ser feita ao presidente Fernando Henrique Cardoso, porque nós já falamos que não faremos”, disse ele aos jornalistas. 

Ao chegar à sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), onde participou da solenidade de posse da nova diretoria da entidade, José Dirceu ainda reiterou que não existe hipótese de o partido divulgar antecipadamente o nome das pessoas que serão escolhidas para ocupar o Ministério da Fazenda e o Banco Central em um eventual governo petista.

Segundo ele, o anúncio somente será feito depois das eleições, no momento em que o partido considerar adequado. “O País não pode ter dois ministros da Fazenda e dois presidentes do Banco Central”, respondeu o deputado, ao ser questionado sobre a pressão para que o partido antecipe os nomes.

Dirceu disse que o PT, no caso da eleição de Lula, fará uma “transição segura e tranqüila”. “Até porque temos excelente diálogo, apesar das diferenças, com o governo”, acrescentou. Dirceu lembrou que Lula, como os demais candidatos, foi ao encontro do presidente Fernando Henrique Cardoso, após a assinatura do acordo do governo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), para comprometer-se com o respeito aos contratos, a estabilidade monetária e o ajuste fiscal. “Quando o presidente precisou, Lula foi ao Palácio e colaborou com o Brasil”, disse o presidente do PT.

Ele afirmou também que o risco-país vai diminuir depois das eleições porque, na sua avaliação, Lula terá “a maior vitória da história do País e contará com o apoio para tomar as medidas necessárias para que o País volte a crescer”. O presidente do PT questionou: “Por que até 31 de dezembro o País está livre de qualquer risco, e depois tem risco?”.