A situação da UEG Araucária, usina termelétrica a gás construída no governo anterior e que está paralisada porque não se ajusta ao sistema estadual e nacional de distribuição de energia, foi discutida na noite de ontem durante encontro da ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, com o governador do Paraná, Roberto Requião, na residência oficial da Granja do Canguiri, em Curitiba.

Requião propôs à ministra a compra das ações da El Paso (EUA) pela Petrobras e pela Companhia Paranaense de Energia ( Copel ). “A Petrobras poderia comprar metade da ações e a Copel a outra metade”, explicou o governador, destacando ainda que a usina, do jeito que foi entregue,” se revelou inútil.”

A solução, acrescentou o governador, é “ilhar” a usina para que a energia a ser gerada possa, por exemplo, atender Curitiba em uma emergência. “É uma forma de evitar um colapso no sistema elétrico brasileiro, já que a tecnologia utilizada na UEG não se adapta aos padrões do país, e de ressarcir um prejuízo de US$ 62 milhões na implantação da usina de processamento, uma vez que o gás boliviano se revelou desnecessário”.

A ministra Dilma Rousseff disse que ficou surpresa com a situação da termelétrica. “Fico preocupada com o fato de o Paraná ter uma usina desse porte, que é inoperante e não pode ajudar o sistema nacional num eventual período de escassez na produção de energia”.

O governador convidou a ministra a presenciar o desvio do rio que vai formar as Centrais Elétricas do Rio Jordão (Elejor), da qual a Copel é sócia majoritária. A Elejor detém a concessão para construir e operar um complexo de usinas de quase 250 MW (megawatts) de potência no Rio Jordão, localizado na região central do Estado.

São duas hidrelétricas de médio porte (Santa Clara e Fundão), com 120 MW cada, e duas pequenas centrais que somam 5,9 MW. No conjunto, esses aproveitamentos totalizam potência suficiente para atender ao consumo de uma cidade de 600 mil habitantes. A ministra aceitou o convite para a solenidade, marcada para o dia 29 de novembro.