Mesmo com a crise que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta com a base aliada no Congresso, o presidente nacional do PT, José Genoino, continua um grande defensor da manutenção e ampliação dessas alianças.

Genoino disse hoje, na sede do partido, em São Paulo, que esses acordos são importantes para a governabilidade e a execução do programa de governo de Lula. Na avaliação do presidente nacional do PT, é necessário consolidar maioria absoluta na Câmara dos Deputados e também nas negociações do Senado.

"Por isso, defendemos a manutenção desta aliança, que é importante para realizar o programa do governo Lula", assegurou. Sobre a relação do partido com o PTB, cujo presidente nacional, deputado Roberto Jefferson (RJ), deflagrou a atual crise com as denúncias do suposto pagamento de "mensalão", Genoino classificou-a de "correta" com a maioria da bancada petebista.

Além disso, o presidente nacional petista destacou a convivência com as outras legendas da base aliada, salientando o encaminhamento das votações e a divisão e espaço dentro da administração federal.

CPI

Sobre a razão de o PT ter mudado de posição e apoiado a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios após as acusações de Jefferson, Genoino afirmou: "A bancada do PT adotou uma mudança de posição que nós, da Executiva, acompanhamos."

O presidente da sigla citou também que a agremiação seguirá a posição da bancada no Congresso a respeito da CPI do "mensalão". "Estamos em contato permanente (com as bancadas) e vamos ter uma sintonia de trabalho", disse.

Genoino evitou comentar a entrevista concedida ontem (08) pelo tesoureiro nacional do PT, Delúbio Soares. O presidente petista informou que tem conversado, freqüentemente, com Lula, mas disse que não sobre a atual crise.

Genoino voltou a negar que a alta cúpula do Poder Executivo tenha pedido o afastamento de Soares. "Ninguém do governo fez qualquer proposta neste sentido. O presidente petista afirmou que a defesa, feita por alguns integrantes do diretório nacional, da saída do tesoureiro nacional do PT – o diretório reúne-se no dia (18) – não está na agenda.

Porém, disse que qualquer militante ou dirigente do diretório pode apresentar qualquer projeto de resolução para ser discutido neste encontro.

Reforma

Genoino defendeu também a realização urgente da reforma política "para entrar em vigor nas eleições de 2006". Na avaliação dele, é possível aprovar para as próximas eleições a fidelidade com prazo de filiação e a mudança nos regimentos dos parlamentos com o objetivo de evitar o troca-troca de partidos.

Para as eleições de 2008, ele disse achar que é viável a aprovação do financiamento público e da votação em lista. Genoino disse que a defesa que o Executivo fez, recentemente, desta reforma não é uma resposta para a crise. De acordo com ele o Palácio do Planalto e o PT dão respostas à crise.