Você pode estar andando com um carro roubado e nem sabe! Isto porque a Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV) e o Grupo de Atuação no combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, desmantelou uma quadrilha de roubos e revenda de carros que conseguiu enganar até mesmo o Detran. O que chamou atenção da polícia foi também o fato de que mulheres eram usadas para passarem credibilidade na hora de vender o veículo roubado pela internet. Não se descarta ainda que policiais estivessem participando dos crimes.

Conforme o delegado Eric Guedes, o grupo roubava carros em Curitiba, principalmente de luxo, e os levava a Guarapuava. Lá, os bandidos adulteravam todos os sinais identificadores do veículo, clonavam a placa (com algum veículo semelhante e que não tinha alerta de furto/roubo) e ainda falsificavam o documento.
Feito isso, a quadrilha colocava os carros à venda pela internet, principalmente no site OLX. Vendiam os veículos para pessoas físicas e também para revenda de automóveis de todo o Paraná. Mulheres faziam a negociação, online e pessoalmente, e usavam a imagem de mulheres de negócios para passar credibilidade à venda.

Segundo a polícia, muitos destes veículos podem estar em circulação e as pessoas que os compraram, de boa fé, tanto quanto as revendas, nem desconfiam que sejam carros roubados, pois com o documento falsificado de boa qualidade (muito próximo do real), a quadrilha conseguia transferir o veículo no Detran ao novo dono, sem que os funcionários suspeitassem de nada.

Houve até o caso de um morador de Curitiba que se deu conta que algo estava errado quando percebeu que seu carro havia sido passado para o nome de outra pessoa. Na verdade, a quadrilha tinha clonado a placa do veículo dele, para coloca-la em outro carro roubado de modelo semelhante e efetuar a venda.

Ao todo, 14 pessoas foram presas, sendo oito homens e seis mulheres, a maioria em Guarapuava. Em Curitiba foi preso Rafael Grein, chefe da organização criminosa. A quadrilha foi indiciada por receptação, adulteração de sinais de veículos, falsificação de documentos e estelionato.

E o Gaeco?

A participação do Gaeco nas investigações mostra que há policiais envolvidos no crime. O delegado Eric preferiu não dizer exatamente como eles agiam, porque isto ainda está sob investigação. Mas ele explicou brevemente que os policiais agiam passando informações privilegiadas ao bando, sem especificar que informações são estas, nem se eram policiais civis ou militares.

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