Câmara de Curitiba

Justiça suspende sessão que poderia cassar mandato da Professora Angela

Justiça suspende sessão da Câmara de Curitiba que poderia cassar mandato da Professora Ângela
Professora Angela (PSOL). Foto: Rodrigo Fonseca/CMC

A sessão que julgaria o processo ético-disciplinar contra a vereadora Professora Angela (PSOL), marcada para esta sexta-feira (24), foi suspensa pela Câmara Municipal de Curitiba (CMC). A decisão atende a uma liminar do desembargador Carlos Mansur Arida, do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), recebida pela Casa na tarde desta quarta-feira (22).

O caso contra a vereadora trata de uma suposta quebra de decoro parlamentar após a distribuição de uma cartilha sobre Política de Redução de Danos durante audiência pública promovida pelo mandato da parlamentar em agosto de 2025.

A sessão havia sido convocada depois que a Câmara foi comunicada, na última segunda-feira (20), sobre uma decisão da juíza substituta Diele Denardin Zydek, que revogou uma liminar anterior e restabeleceu o andamento normal do processo.

Com o novo entendimento do TJPR, a ação voltou a ser interrompida. O desembargador determinou a suspensão de qualquer decisão sobre o caso até nova análise pela Justiça.

Em nota, a CMC informou que vai recorrer à Justiça para defender a legalidade do procedimento. A Casa ressaltou que o processo ético-disciplinar respeitou, em todas as fases, o devido processo legal, permitindo a ampla defesa e seguindo o Regimento Interno da CMC, o Código de Ética e Decoro Parlamentar e o Decreto-Lei Federal nº 201/1967.

Com a suspensão determinada pela Justiça, não há, até o momento, nova data prevista para a realização da sessão.

Procurado pela Tribuna do Paraná, o presidente da Câmara Municipal de Curitiba, vereador Tico Kuzma, informou que, neste momento, a posição da Casa se limita ao comunicado institucional divulgado pela CMC.

O que o processo apura

Após a distribuição da cartilha sobre Política de Redução de Danos, os vereadores Da Costa (Pode) e Bruno Secco (Novo) protocolaram uma denúncia, alegando que o material fazia apologia ao uso de drogas dentro do Legislativo. Uma Comissão Processante analisou o caso, ouviu testemunhas e, ao final, recomendou por unanimidade a perda do mandato.

Durante as reuniões da Comissão, a vereadora defendeu a validade do material impresso, mas os argumentos não foram aceitos. Conforme o parecer do relator, o vereador Olimpio Araujo Junior (PL), a comissão acatou parcialmente as denúncias. Também considerou improcedentes as implicações penais e de improbidade administrativa “por ausência de competência”, mas identificou problemas no conteúdo e na divulgação da cartilha.

“A Comissão reconhece e faz questão de registrar, que o debate sobre políticas de drogas é legítimo em ambiente democrático e próprio do Parlamento”, afirmou o relator. “O que se examina aqui não é o mérito ideológico das ideias, mas a forma e os meios escolhidos, seu alinhamento ao requerimento aprovado e o impacto institucional produzido”, registrou Olimpio, considerando que a conduta “configura falta de decoro ao expor a Casa a juízo social de descrédito”.

Na ocasião, a vereadora publicou uma nota de defesa. “É com indignação, mas de cabeça erguida, que comunicamos à população curitibana que continuamos sendo alvo de uma nítida e inaceitável perseguição política, que se configura como uma explícita violência política de gênero. O ataque covarde contra o mandato popular da Professora Ângela não se deve a qualquer irregularidade administrativa ou desvio de conduta, mas sim à sua firme e inegociável defesa de pautas progressistas e de direitos humanos na Câmara. O cerne desta tentativa de cassação é a defesa da Redução de Danos como política de saúde pública e o combate às opressões“, disse.

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