O corte e a poda de árvores no Passeio Público de Curitiba gerou questionamentos e virou alvo de investigação na Câmara Municipal. Dias antes da estreia do evento “Inverno Encantado“, que aconteceu no último fim de semana, a remoção de galhos de árvores no tradicional parque provocou indignação de parte dos vereadores.
De acordo com o laudo técnico, disponibilizado pela Prefeitura via Lei de Acesso à Informação, apenas uma árvore foi removida, por risco de queda. Segundo o município, a remoção não está relacionado ao evento. O Eucalipto é considerado uma espécie exótica e pode ser removido, de acordo com o Código Florestal , contanto que tenha uma compensação. Ou seja, será preciso plantar uma muda nativa em seu lugar.
A árvore, que tinha 27 metros de altura, já estaria em senescência – processo natural de envelhecimento em que a planta vai perdendo a sua vitalidade. Havia brotações epicórmicas, que são galhos que nascem das partes mais baixas e indicam estresse severo da árvore, podendo cair com mais facilidade.
Por fim, também encontraram uma manifestação de hemiparasitas, plantas hospedeiras que se alimentam de água e nutrientes da árvore. Na conclusão, o material afirma que a árvore estava localizada em uma área de intenso fluxo de visitantes, e representava risco à população.
A vereadora Laís Leão acredita que os parques de Curitiba com vegetação mais antiga pedem um manejo profundo e que precisa ser transparente: “Precisa ficar claro para a população porque está sendo feita a eventual retirada de um galho, de ervas-de-passarinho [hospedeira]”.
Parlamentares questionam corte de árvores
As vereadoras Giorgia Prates (PT); Amália Tortato (Novo) e Laís Leão (PDT), questionaram sobre o corte de árvores no Passeio Público. A remoção aconteceu algumas semanas antes do evento em questão.
“Toda vez que denunciamos algo, é porque a população está incomodada”, aponta a vereadora Camila Gonda. A parlamentar pediu informações à Prefeitura sobre a realização da atração.
A vereadora Laís Leão explica que existe um projeto de lei (PL) para melhorar a comunicação sobre as mudanças dentro da cidade. A proposta visa atualizar o código florestal e instituir a Lei da Transparência Ambiental, para instalação de placas com as autorizações no caso de corte de árvores ou mesmo online, para que laudos técnicos fiquem mais acessíveis. O PL está sob análise da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).
Da mesma forma, a parlamentar Camila Gonda reforça que é favorável a ter toda a documentação em mãos antes da execução dos projetos. Essa previsão, explica ela, facilita a consulta à órgãos competentes. “Isso é uma segurança jurídica, não só para as pessoas, mas para a prefeitura também. Fazendo isso a prefeitura não se sujeita a multas, como a do Ibama com relação ao corte de árvores da rua Arthur Bernardes”.
Ela ainda detalha que a legislação de Curitiba poderia ser mais transparente quanto ao corte de árvores, para que a população possa ter ciência de quando é um corte regular.
