O boletim epidemiológico da prefeitura de Curitiba desta quarta-feira (24) indica que a taxa de ocupação das 223 UTIs do SUS exclusivas para covid-19 na capital é de 83%. Assim 39 leitos estariam livres para novos pacientes. Onze dessas vagas, no entanto, são em UTIs pediátricas. Para adultos há 28 leitos livres, com 86% dos 202 leitos disponíveis ocupados. A cidade tem, ainda outros 201 leitos de UTI geral, dos quais 69 estão livres e poderiam ser requisitados, caso o número de pacientes com coronavírus ultrapasse o de leitos reservados. Confira as vagas por hospital no fim desta reportagem.

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De acordo com o portal da transparência da Secretaria de Estado de Saúde, alguns hospitais vêm operando, desde o último dia 15, com praticamente 100% da sua ocupação de UTIs. Nesta quarta-feira, estavam nesta situação a Santa Casa (com os 10 leitos covid ocupados) e o Hospital Evangélico (23 leitos lotados). Na Região Metropolitana, o Hospital Municipal de São José dos Pinhais também tem registrado ocupação máxima nãos últimos dias. A ativação de 103 leitos no Hospital do Rocio, em Campo Largo (46 deles livres) desafoga um pouco a situação da Grande Curitiba. Há, ainda, 31 leitos não covid disponíveis em UTIs da RMC (de um total de 232).

A informação de que alguns hospitais atingiram 100% de sua ocupação nos últimos dias assustou a população curitibana, mas a superintendente de gestão da Secretaria Municipal de Saúde, Flávia Quadros, explica que isso é natural, que o sistema atua em rede e que o que deve ser considerado é a ocupação total na cidade e não de um ou outro hospital específico.

A ocupação de UTIs é bastante flutuante e os números oscilam até mesmo dentro de um único dia. “Passamos os dados à Secretaria Estadual pela manhã e as altas são à tarde, por exemplo. Além disso, é esperado que os hospitais que tenham pronto-atendimento, como o Hospital do Trabalhador e o Evangélico, por exemplo, tenham uma ocupação maior, pois o paciente pode acabar chegando direto”, diz.

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“Temos 10 hospitais com leitos públicos para a covid-19 e é natural que um ou dois atinjam 100% da ocupação. O que a gente monitora é a taxa geral de ocupação. Temos um plano de contingência, podemos ativar mais leitos para aumentar essa capacidade, quando necessário”, acrescenta.

Quadros cita que, nesta quinta-feira, mais 15 leitos do Hospital de Clínicas serão acrescentados ao sistema. “Ainda podemos abrir mais alguns leitos, está na nossa programação. Também cancelamos cirurgias eletivas e podemos transformar centros cirúrgicos em UTIs. Ainda não estamos no limite, mas precisamos da contribuição da comunidade para que o sistema continue dando conta”, conclui, citando que a redução da movimentação das pessoas, além de diminuir a circulação do vírus, ainda contribui para a redução dos casos de traumas, liberando mais leitos nos hospitais.

O diretor de gestão em saúde da Secretaria de Estado da Saúde, Vinícius Filipak. “Quando a gente tem um paciente para internar, o fato de ter um hospital lotado não significa que ele fica sem assistência. A rede é composta por diversos hospitais. Como o próprio nome da diz, o SUS é um sistema único. O cidadão tem direito a atendimento em qualquer lugar, independente de onde ele for. Quem distribui é o complexo regulador (central de leitos). Pela localização, gravidade, tipo de leito necessário e mapeamento ocupação, o direcionamento para o melhor leito possível”, diz.

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O diretor da Sesa explicou que a secretaria abandonou o conceito de hospitais de referência e hospitais de retaguarda, adotado pelo estado em março, no início da pandemia, que indicava um hospital principal para concentrar os casos de Covid-19 em cada região (em Curitiba era o Hospital do Trabalhador) e hospitais de retaguarda para serem utilizados após a lotação do hospital de referência. “Agora estamos atuando com conceito de rede. Todos os hospitais que têm leitos covid estão no sistema e o complexo regulador indica o melhor leito para cada paciente”, diz.

Anunciando que o estado está ativando leitos de UTI covid no Hospital São Lucas, no bairro Parolin, em Curitiba, Filipak diz que o estado está ampliando leitos, mas que não há como aumentar a oferta de leitos na velocidade em que os casos estão crescendo no Paraná. “Essa equação não tem um final feliz. Temos, óbvio, que ampliar leitos dentro das nossas limitações de estrutura, insumos e de pessoal, mas, não é possível ampliar indefinidamente o número de leitos. Temos um limite e, seja com um, dois, ou 50 hospitais, vamos chegar ao esgotamento”.


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