A expulsão de um morador de rua de dentro de um restaurante da Rua Prudente de Moraes, no Centro de Curitiba, levantou polêmica na tarde deste domingo (16). O homem foi colocado para fora do estabelecimento na base de choque e de chutes. Não demorou nada para que uma frequentadora fizesse uma postagem no Facebook, criticando o dono do restaurante, que respondeu às acusações para a reportagem da Tribuna. Ele disse que acumula perda de 30% dos clientes por causa do morador de rua agredido e chegou ao limite.

O fato ocorreu no horário de almoço, na última quadra da Alameda Prudente de Moraes, entre as Ruas Saldanha Marinho e Carlos de Carvalho. Ali existem vários restaurantes, cafés e sorveterias. Após a confusão, a “denunciante” descreveu a situação assim: “Os proprietários de restaurantes da rua Prudente de Moraes precisam urgente ter uma aula de Direitos Humanos. Há pouco o dono de um restaurante foi à rua munido de taser, aquela arma que dá choque, imobilizou um morador de rua e chutou-o. O crime do morador foi entrar no seu restaurante e pedir comida. Que tempo estamos vivendo. Remeteu ao Inferno de Dante Alighieri, se é que me entendem. PS: a agressão ocorreu a 50 metros do restaurante. Não divulgarei o nome. Já tomei as providências necessárias.”

Rafael Strujak, dono do restaurante, admitiu as agressões. Foto: Lineu Filho / Tribuna do Paraná
Rafael Strujak, dono do restaurante, admitiu as agressões. Foto: Lineu Filho / Tribuna do Paraná

Antes de procurar o referido restaurante, a Tribuna andou por outros estabelecimentos da rua. Alguns garçons confirmaram que o morador de rua entrou em vários locais. Num café, entrou para pedir dinheiro, mas estava muito mal cheiroso por causa das fezes nas roupas. Mesmo depois dele ir embora, o cheiro ficou um tempo no local e incomodou os clientes que faziam suas refeições. Em seguida o rapaz entrou no restaurante da polêmica. O proprietário, Rafael Strujak, confirma que colocou o homem para fora com choque e chutes, mas explicou também que fez isso porque chegou numa situação limite. Ele já não sabe mais o que fazer ou a quem pedir ajuda, pois por causa de alguns pedintes mal educados que entram no local ele já perdeu cerca de 30% dos clientes.

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Rafael conta que não é a primeira vez que este mesmo homem entra no seu estabelecimento. Dessa vez ele estava todo sujo, fedendo muito e aparentemente alterado pelo uso de drogas. “Ele não entrou pra pedir dinheiro ou comida, como disseram aí no Facebook. Chegou ameaçando todo mundo. Então mandei ele sair. Ele estava resmungando, xingando, não queria sair, me ameaçou, que se eu colocasse ele pra fora, ia me cortar igual cortam carne no açougue. Então dei um choque nas costas dele e um chute”, disse Rafael, contando que aquele mesmo homem já havia estado umas três ou quatro vezes por lá, sempre agressivo.

Numa das vezes, ele entrou armado com uma faca, ameaçando clientes e funcionários. “Tinha uma família, que mora em Florianópolis, que toda vez que vem a Curitiba vem aqui jantar. Nesse dia da faca, a família foi embora e nunca mais voltou. A mocinha saiu daqui chorando assustada. Eram clientes fiéis que perdi e não voltam mais”, lamentou. E ele conta que, no episódio deste domingo, ele também perdeu outros seis clientes, que estavam em duas mesas no deck externo.

“Poxa, eu já pedi ajuda da polícia, pra passar mais vezes por aí. Não passam. Eu já contratei segurança particular. Mas não aguentei pagar. Já botei câmeras, contratei alarme monitorado, reuni os outros comerciantes para termos um segurança na rua. Mas não deu certo porque o serviço não estava a contento”, lamentou. O comerciante diz que precisa atender os clientes com a porta fechada a partir de determinado horário.

O comerciante se irritou com o autor da postagem que gerou tanta repercussão. “Esse povo criticar no Facebook sem saber direito o que está acontecendo e o que já aconteceu antes. Tem muitos moradores de rua e usuários de drogas que vem me pedir comida aqui e eu dou. Nunca nego. Mas esse cara aí não veio pedir comida, ele já entra ameaçando, todas as vezes”, esbravejou Rafael.

O que fazer?

A Tribuna procurou a Polícia Militar, para verificar quantos chamados de policiamento de presença e abordagem a suspeitos há nesta região. Mas, por ser domingo, a PM informou que não conseguiria levantar a estatística solicitada. Mesmo assim, orientou que a pessoa que se sente incomodada com a abordagem de moradores de rua e usuários de drogas, seja na rua ou dentro de estabelecimentos comerciais, que chame a PM através do telefone 190.

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