Sob ameaças e forte pressão psicológica, com facas improvisadas no pescoço, um dos agentes feitos reféns por presos rebelados há três dias na Casa de Custódia de Curitiba (CCC), no bairro Cidade Industrial, criticou a maneira com que as negociações estão sendo conduzidas. “Já participei de outras negociações e nunca foi (a negociação) tão idiota assim”, disse.

O clima dentro da Casa de Custódia é muito mais tenso do que dá a entender o Departamento Penitenciário do Paraná (Depen). Os negociadores garantem que está tudo calmo por lá, mas a Tribuna segue recebendo relatos de familiares dos presos que mostram um panorama bem diferente.

Faca no pescoço! Reféns da Casa de Custódia de Curitiba são ameaçados em vídeo. Foto: Reprodução!
Faca no pescoço! Reféns da Casa de Custódia de Curitiba são ameaçados em vídeo. Foto: Reprodução!

“Ninguém está brincando aqui. Porque não tem telhado, não pensem que o pessoal não é perigoso”, reclamou o mesmo agente mantido refém. De fato a falta de imagens “oficiais”, comuns em rebeliões em cadeias Brasil afora, com incêndios e presos na cobertura dos edifícios, passa a impressão de que as negociações correm de forma tranquila. O acesso da imprensa foi bloqueado próximo à CCC.

A esposa de um dos detentos, que preferiu não se identificar, disse que o fornecimento de água, luz e alimentação foi interrompido. “A situação está um caos. Não estão aceitando negociações. Todos os pedidos foram negados. Os presos estão sem água, sem luz e não estão recebendo alimentação já faz três dias. Estão todos desesperados e a situação está saindo um pouco controle”, disse.

A tática de cortar o fornecimento de luz, água e comida é muito usada neste tipo de negociação. Contudo o próprio agente do sistema penitenciário que segue refém reclamou da decisão. “Não estou entendendo tirar no meio da negociação a água, luz e alimentação. Vamos mostrar um pouco de hombridade nisso, vamos discutir. Se a primeira proposta não foi aceita, vamos tentar outra, mais uma, até ter um ponto comum. Não vamos ficar na idiotice de tirar água, luz alimentação na metade da negociação”.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do Depen e solicitou uma entrevista ou posicionamento sobre o vídeo enviado no início da noite mostrando a situação dentro da galeria. No meio da tarde uma nota foi enviada repetindo o posicionamento de que a negociação foi interrompida e será retomada na manhã desta quarta-feira (4), e que não há informações de feridos.

Até o fechamento desta matéria não houve mais nenhum retorno do Depen sobre a situação.

Foto: Colaboração
Foto: Colaboração

Sindarspen

O presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná, Ricardo de Carvalho Miranda, soltou uma nota sobre o vídeo.

“Este momento é de tensão, e a dor de ver um companheiro na ponta da faca é imensurável. Pior ainda é para quem está de refém, sem observar nenhuma possibilidade de final dessa trágica rebelião.

O Governo do Paraná deixou por anos de se investir no sistema prisional, facilitando com que presos se organizem e utilizem nossa categoria como moeda de troca para suas reivindicações. Todas as penitenciárias estão superlotadas e com baixo efetivo, nos transformando em reféns potenciais.”

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