Em Curitiba, cerca de 5 mil imóveis estão anunciados para aluguel por temporada na Airbnb, segundo dados do site Airbtics (AirBnb Analytics), que traz estatísticas sobre a plataforma. Desse total, aproximadamente 4 mil unidades se concentram em bairros centrais e valorizados, como Centro, Água Verde e Batel.
A expansão desse perfil de investimento tem levado o setor imobiliário a apostar em novos empreendimentos com maior número de unidades e metragem reduzida, voltados à praticidade.
Com diária média de R$ 189, a estimativa é que a plataforma Airbnb tenha movimentado cerca de R$ 22,1 bilhões nos três estados do Sul em 2024. A rentabilidade se consolidou como um dos principais atrativos para esse investimento no cenário pós-pandemia.
Um levantamento da DataZAP, publicado em dezembro, aponta que cerca de 12% dos brasileiros consideram comprar um imóvel com foco em retorno financeiro.
Embora a preferência ainda seja pela aquisição de imóveis para moradia, o tíquete médio nacional nesse investimento gira em torno de R$ 271.427,86. Em Curitiba, esse valor corresponde, em média, à compra de um imóvel de 29,67 metros quadrados, segundo levantamento da Loft divulgado em dezembro.
Dentro dessa faixa, os imóveis compactos ganham protagonismo. Dados da imobiliária Cibraco indicam a oferta de pelo menos 2 mil unidades desse tipo na capital. Essas são, em sua maioria, lofts e studios, apartamentos com plantas abertas, poucos ambientes divididos e foco em funcionalidade. O modelo é direcionado tanto a investidores quanto a um público que busca moradia prática em regiões centrais.
Tendência vem do mercado global
Esse movimento evidencia uma mudança no perfil do mercado a nível mundial. De acordo com o diretor comercial da Cibraco, Adalberto Scherer, o crescimento dos empreendimentos compactos é resultado de uma combinação de fatores, como o aumento dos custos da construção, a preferência por localizações centrais e a redução no tamanho das famílias, além do avanço dos aluguéis por plataformas digitais.
“Curitiba acompanha uma tendência já consolidada em São Paulo. Nos últimos cinco anos, houve um crescimento expressivo de apartamentos compactos e até supercompactos, com unidades que chegam a 11 m² no estado vizinho. São imóveis com custo menor, aluguel mais acessível e maior praticidade para quem busca morar”, explica.
Embora sejam altamente atrativos para investidores, esses imóveis também têm sido adquiridos para moradia própria, especialmente por casais, famílias menores e compradores do primeiro imóvel. Em cidades como Curitiba, onde 100% da população vive em espaços urbanos, segundo a Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (AMEP), a verticalização surge como alternativa para concentrar moradores em regiões com maior oferta de serviços e infraestrutura.
Esse processo traz efeitos distintos. Por um lado, facilita o acesso a transporte, comércio e emprego nas áreas mais centrais. Por outro, a concorrência com os aluguéis de curta duração pressiona os preços para quem busca moradia tradicional.
De acordo com o Radar Imobiliário do Grupo OLX, o Centro lidera a preferência para a compra de imóveis em Curitiba. Para Scherer, esse protagonismo reflete a maior oferta de lançamentos, surgindo após um ciclo de baixos valores de aquisição de terrenos na região. O interesse de compradores e imobiliárias é impulsionado por novos incentivos, como o programa Curitiba de Volta ao Centro.
Paralelamente, o setor de locação na área também cresce. O aluguel no Centro acumulou alta de 14% em 2025, atingindo o valor médio de R$ 2.635. O patamar, contudo, ainda se mantém abaixo de outros bairros vizinhos e valorizados, como o Portão (R$ 2.917) e o Água Verde (R$ 4.757).
A mudança no perfil habitacional também aparece nos dados demográficos. Entre os censos de 2010 e 2022, a proporção de moradores em apartamentos no Paraná dobrou, sendo na capital o maior índice. Em Curitiba, 33,6% da população vive nesse tipo de imóvel, refletindo a consolidação de um modelo alinhado às novas dinâmicas do mercado imobiliário.
Vale a pena investir?
Para os investidores, um dos principais atrativos dos imóveis compactos também é a localização. Em geral, os novos lançamentos estão concentrados em áreas turísticas. “A taxa de vacância desses imóveis é muito baixa, especialmente em uma cidade como Curitiba, que além de atrair turistas, se consolidou como referência nacional em shows e eventos”, afirma Adalberto Scherer.
Na análise de custo-benefício, o diretor destaca que, em muitos casos, o valor da locação praticamente cobre a prestação do imóvel. No entanto, no caso dos aluguéis por temporada em plataformas como o Airbnb, é necessário considerar custos adicionais, como manutenção, limpeza, mobília e gestão do imóvel. Esses fatores impactam diretamente a rentabilidade e devem ser incluídos no cálculo da diária.
Para quem ainda avalia o momento de investir, o cenário segue favorável. A tendência é que o modelo de studios e lofts avance também para cidades da Região Metropolitana. Ainda assim, Scherer ressalta que o mercado imobiliário é cíclico. Apesar do crescimento dos imóveis compactos, diferentes perfis ainda existirão. “Sempre haverá demanda por todos os tipos e tamanhos de imóveis”, conclui.
