A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Sanguessugas realizará reunião administrativa na próxima quarta-feira (4). Na pauta, há 207 requerimentos que devem ser discutidos. Entre eles, pedidos de quebra de sigilo telefônico e bancário de envolvidos no esquema de superfaturamento de ambulâncias e convocação de testemunhas.

O recente episódio de tentativa de compra de um dossiê que ligaria candidatos tucanos à "máfia das ambulâncias" também será objeto de investigação da comissão. Já há requerimentos do senador Romeu Tuma (PFL-SP) pedindo a convocação de Gedimar Passos e Valdebran Padilha – os dois petistas que foram presos em São Paulo, no dia 15 de setembro, com R$ 1,7 milhão, dinheiro que seria destinado à compra do dossiê contra os tucanos.

Outros suspeitos

Romeu Tuma pede também a convocação de outros petistas suspeitos de intermediar a negociação: Freud Godoy, ex-assessor especial da Presidência da República; Osvaldo Bargas e Jorge Lorenzetti, que trabalhavam na campanha de Lula; e Hamilton Lacerda, ex-coordenador da campanha de Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo, que teria sido filmado em um hotel na capital paulista entregando a mala com o dinheiro para comprar o dossiê.

Governo FHC

A CPMI também deve investigar se houve participação do governo anterior no esquema de superfaturamento de ambulâncias. A deputada Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) quer convocar o ex-ministro da Saúde do governo Fernando Henrique Cardoso Barjas Negri e o empresário Abel Pereira, amigo do ex-ministro. A deputada pede também a convocação de Luiz Antônio Vedoin para esclarecer a participação dos ex-ministros da Saúde José Serra e Barjas Negri nas irregularidades.

O deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) já havia apresentado requerimentos para a convocação dos ex-ministros da Saúde do Governo Lula Humberto Costa e Saraiva Felipe. Entretanto, na última reunião da CPMI, foram aprovados apenas requerimentos de pedidos de informação. O objetivo era evitar polêmica às vésperas das eleições, adiando os requerimentos de convocação de testemunhas para a reunião do dia 4 de outubro.

Disputa eleitoral

Quando esteve em Brasília nesta semana, o presidente da CPMI das Sanguessugas, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), disse que, enquanto pôde, deixou a investigação da CPMI alheia à disputa eleitoral. Biscaia manifestou, no entanto, preocupação no caso de um eventual segundo turno.

"A convocação dos ex-ministros vai depender da decisão do plenário (da comissão) na quarta-feira. Como presidente, vou conduzir, e não tenho mais posição contrária, porque passou este momento mais sério do primeiro turno das eleições. Se houver segundo, não quero nem prever o que possa acontecer", afirmou Biscaia.

Segundo o deputado, caso haja segundo turno em qualquer nível, será muito difícil controlar e evitar disputa eleitoral na CPMI. "Vai ser uma missão que vou ter que enfrentar com muito ânimo, com muita vontade, já sabendo que não será fácil", previu.

Nova disputa

Nesta semana, a investigação sobre a origem do dinheiro que seria utilizado na compra do dossiê gerou nova disputa entre governo e oposição. Parlamentares oposicionistas acusaram o Ministério da Justiça e a Polícia Federal de estarem atrasando as investigações para não prejudicar os candidatos petistas no pleito do próximo domingo. Os governistas, por sua vez, acusaram a oposição de produzir "factóides políticos" às vésperas da eleição.

A Polícia Federal está perto de identificar o comprador dos dólares apreendidos na negociação da compra do dossiê. De acordo com autoridades norte-americanas, o dinheiro foi enviado ao Banco Sofisa. A polícia já conseguiu na Justiça a quebra de sigilo bancário da instituição e aguarda as informações do Banco Central.