Cerca de duas mil famílias deverão ser atingidas pela construção das usinas hidrelétricas do Jirau e do Santo Antônio, em Rondônia, ao longo do rio Madeira. O início das obras está previsto para junho. A estimativa é do Movimentos dos Atingidos por Barragens (MAB).

"A calha do rio Madeira toda é povoada por ribeirinhos, que vivem da pesca e da agricultura familiar", afirmou Pedro da Silva Damasceno, militante do MAB e morador da comunidade Vila da Cachoeira do Teotônio. Nessa comunidade, vivem 65 famílias, cujas casas serão cobertas pelo lago da barragem do Santo Antônio. Eles serão indenizados e deslocadas para uma área mais longe do rio. "Para que serve o dinheiro, quando você pensa na nossa tradição, nossas origens? É a terra de barranco, a terra que inunda, que é fértil. Lá onde pretendem nos colocar não nasce nem milho. É por isso que não queremos nem pensar na hipótese de sair daqui", disse Pedro.

Segundo ele, a maioria dos ribeirinhos, no entanto, é favorável à construção das hidrelétricas. "São pessoas muito pobres, que se iludem com a propaganda dos construtores. Elas podem trabalhar na construção das usinas durante 10 anos. E depois, farão o quê? O brasileiro, infelizmente, só costuma fechar a porta depois que foi roubado", lamentou Pedro.

As obras das usinas do Jirau e de Santo Antônio deverão durar de oito a dez anos. As usinas serão construídas por Furnas Centrais Elétricas e pela Construtora Norberto Odebrecht, ao longo do rio Madeira. A do Jirau ficará a 130 quilômetros de Porto Velho e a do Santo Antônio, a seis quilômetros.

As duas hidrelétricas terão potencial para produzir 6,3 mil megawatts de energia elétrica, o sufuciente para tirar Rondônia e Acre da dependência da energia térmica, cuja matriz prioritária nos dois estados é o diesel. Ambas estão inseridas em um contexto que envolve dois outros grandes projetos, formando um complexo de quatro usinas e uma malha hidroviária de 4.200 quilômetros.