Brasília – A necessidade de recursos para as emissoras de televisão públicas e a definição do papel delas foram temas abordados nesta segunda-feira (7), na reunião do Conselho de Comunicação Social (CCS) do Senado, pela presidente da TV Educativa do Rio de Janeiro (TVE Brasil), Beth Carmona, e pelo diretor da TV Cultura, Marco Antônio Coelho Filho.

Segundo Beth Carmona, "a falta de recursos vem sendo enfrentada desde a inauguração da primeira TV Educativa, em 1967", e "é crucial diante da participação TV pública no sistema digital a ser implantado no país. Ele destacou que ?é preciso oferecer um contraponto de qualidade à TV comercial. Se conseguirmos superar a questão do financiamento, nossos profissionais poderão contribuir muito na produção de conteúdo de qualidade, dentro das possibilidades de interatividade permitidas pelo sistema de transmissão digital. O objetivo é manter o serviço à educação do cidadão, à cultura e à cidadania".

Na opinião da representante da TVE Brasil, falta "um currículo que aproxime as emissoras públicas da política nacional de educação ? cada estado, cada cidade, tem suas caracaterísticas, mas o sistema digital vai facilitar até a melhor formação do professor, na educação à distância?. Ela lembrou ainda que o Brasil ?é o país que está mais na frente, na América do Sul nesse segmento de TVs educativas e apesar das deficiências, é modelo inspirador para outros países". Mas alertou para a necessidade de "criar conceitos sólidos e duradouros para essas emissoras". E lembrou que a TVE Brasil, em 15 anos até 1995, teve 15 presidentes: ?Isso impediu que ela solidificasse a sua linha de trabalho?.

O diretor da TV Cultura, Marco Antônio Coelho Filho, disse que o objetivo da emissora pública ?é trabalhar em favor da cidadania e não do lucro, e a necessidade de financiamento tem que ser resolvida pelo poder público?. Segundo ele, 50% dos brasileiros vêem televisão, e o país, apesar de ser a 13a economia, de acordo com seu Produto Interno Bruto (PIB), tem uma das quatro maiores redes de televisão do mundo.

?A educação hoje é feita com grande contribuição das alternativas audiovisuais, daí a importância da televisão nesse processo?, disse Coelho Filho, para quem a carência de recursos "pode levar a emissora a se desviar dos seus objetivos?. Fazer jornalismo, afirmou, não é papel da TV pública e flertar com a publicidade, muito menos. ?Mas a ajuda oficial deve ser feita sem que ela se submeta ao governo?, acrescentou.

O presidente do Conselho, Arnaldo Niskier, disse que ?não se pode querer que os cidadãos venham a contribuir para as emissoras públicas, pois hoje eles já suportam uma carga tributária de 38%?.