O presidente do Congresso do Equador, Jorge Cevallos, suspendeu, pela quarta semana consecutiva, a sessão da Casa prevista para hoje e disse que irá esperar a decisão do Tribunal Constitucional sobre a destituição dos 57 deputados. Segundo ele o conflito de poderes no país "piorou nos últimos dias".

"O país não quer caos, circo, anarquia, confrontos. Suspender a sessão como manda o regulamento até a próxima terça-feira, esperando que o Tribunal Constitucional se sensibilize, tome alguma decisão, para que possamos acatá-la" é o melhor a ser feito, disse Cevallos.

A decisão foi criticada de imediato pelo governo. A chanceler María Fernanda Espinosa admitiu que "existe uma preocupação natural", mas esclareceu que o poder Executivo "não tem responsabilidade alguma". "Trata-se de uma crise do poder Legislativo, que deverá ser resolvida através das instâncias jurídico-institucionais e esperamos que isso ocorra o mais rápido possível", afirmou.

Na terça-feira da semana passada, o presidente do congresso suspendeu a sessão depois da decisão de um juiz da província litorânea do Guayas, que anulou a destituição dos 57 deputados. Cevallos havia marcado uma nova sessão para hoje. O conflito político começou há três semanas, depois da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de destituir 57 parlamentares dos partidos de oposição ao governo do presidente Rafael Correa.

A medida foi uma repressão à decisão dos deputados de destituir parte dos juízes do TSE por estes terem convocado uma consulta popular sem pedir autorização do Congresso. Os equatorianos deverão votar no dia 15 de abril para decidir se deve ou não ser instituída uma Assembléia Constituinte, com a qual Correa pretende introduzir mudanças no país.