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“Confiteor” e confronto

  • Por Editorial Do Jornal O Estado Do Paraná

No governo Lula faz-se um “confiteor”, admitindo que o PT atrapalhou e até impediu a aprovação das reformas, durante o governo FHC. E que isto foi um erro que hoje coloca o partido de Lula numa situação de pedir e esperar o apoio do PSDB e do PFL, para aprovar exatamente o que boicotou no governo passado. E numa posição contraditória, pois terá de dizer que era bom o que antes demonizou porque de iniciativa do governo que combatia. Essa confissão pode não valer o céu para os petistas, mas talvez lhes granjeie a boa vontade da atual oposição PSDB-PFL para que tenha as reformas da Previdência, tributária, política, trabalhista e outras que considera essenciais para pôr o País nos trilhos. Mesmo que isso os leve a virar a casaca em nome do bem do Brasil, admitindo que estavam errados e foram injustos.

Há uma razão prática para essa paradoxal nova posição. É que, sem maioria no Congresso, o governo Lula não conseguirá as reformas. Para isso, precisa da simpatia de peessedebistas e de pefelistas. Estes, por sua vez, ficarão numa posição incômoda se hoje votarem contra o que eles próprios propuseram no governo passado, recebendo pedradas dos petistas.

O próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, quando deixou o governo, disse que esperava que seus correligionários não fizessem contra Lula uma oposição cega como a que foi feita à sua administração. O resultado disso tudo é que as reformas passaram a ser bandeira comum da oposição e do situacionismo, se bem que em tese, pois quando esmiuçada, surgirão as divergências sobre diversos pontos, alguns com certeza essenciais.

Com o “confiteor” petista, um reconhecimento de erros do passado e acertos do governo que combatiam, forma-se um clima se não de companheirismo, pelo menos de cumplicidade forçada, em benefício do País.

Não obstante esse novo clima, que exigiu de muita gente enfiar o rabo no meio das pernas e baixar a crista, ainda o governo Lula terá de enfrentar um interessante confronto. Terá de discutir suas posições na área econômico-financeira, e não será com a equipe de FHC encimada por Malan, pois a política que o atual governo segue é, em gênero e caso, a mesma do governo passado. Só não o é em números, pois sob Lula é muito mais dura. Os chamados radicais do PT, da DS (Democracia Socialista), uma das muitas correntes em que se divide o Partido dos Trabalhadores, quer promover uma conferência econômica durante a reunião do diretório nacional, marcada para amanhã e depois de amanhã. Membros da corrente, à frente a ministra Heloísa Helena e o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, já vinham contestando a política econômica de Antônio Palocci Filho. A Esquerda Socialista, outro grupo petista considerado ortodoxo, também a contesta, através de Luciana Genro, deputada federal e filha do ministro Tarso Genro. Contestam também o deputado João Batista Oliveira de Araújo, o Babá, de outra ala, a Corrente Socialista Brasileira do PT. O debate programado seria entre o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e sua equipe e, de outro lado, economistas históricos petistas como Celso Furtado, Maria da Conceição Tavares e o hoje mais acomodado senador Aloízio Mercadante.

O “confiteor” ajuda, mas o confronto poderá pôr em xeque a política econômico-financeira do PT. Livre da oposição do PSDB e do PFL, terá de enfrentar a do próprio PT histórico.

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