Os candidatos à Presidência criticaram ontem a proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de convocar uma Assembléia Nacional Constituinte específica para a reforma do sistema político. O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, considerou a proposta "sem sentido" e vê uma ameaça à Constituição.

"Precisamos ter estabilidade das regras para preservar a Constituição", alertou Alckmin. Para ele, é preciso aprovar a reforma política no Congresso e a fidelidade partidária. "Depois temos de restituir o respeito a outros Poderes e o espírito público. Não vejo o menor sentido nisso", criticou.

O discurso mais duro foi o de Cristovam Buarque (PDT), que classificou a estratégia como autoritária. "Se o Congresso quiser colocar uma constituinte por três quartos dos votos, muito bem; é o povo que está convocando a Constituinte. Agora, o presidente fazer isso é uma temeridade, um passo em direção ao autoritarismo", opinou o pedetista, em entrevista ontem ao Jornal Nacional.

Cristovam comparou Lula a governantes da região, em referência aos presidentes Hugo Chávez e Evo Morales. "Outros governos da América Latina fizeram assim", comentou.

A candidata do PSOL, Heloísa Helena, disse que a proposta é desnecessária. "Não existe nenhuma lógica em, para viabilizar a reforma política, convocar uma Assembléia Constituinte. A reforma política, a alteração da metodologia de CPI , tudo pode ser feito sem a convocação de uma Assembléia Constituinte", comentou.