Pela segunda vez em dois meses e meio, um pedido de cassação contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) chega ao plenário. Na sessão desta terça, que começa às 15 horas, os senadores votarão o parecer do relator do caso no Conselho de Ética, Jefferson Péres (PDT-AM), que apresentou sete indícios de que o presidente licenciado do Senado teria usado laranjas para comprar duas emissoras de rádio e um jornal em Alagoas, em sociedade com o usineiro João Lyra. É a terceira das seis representações contra ele. Duas foram arquivadas. As demais ainda não foram examinadas.

O corregedor do Senado, Romeu Tuma (PTB-SP), acredita que a última denúncia contra o peemedebista – de que teria usado um agente da Polícia do Senado para investigar Marconi Perillo (PSDB-GO), seu adversário – pode se reverter em votos contra ele. Mas não a ponto de resultar na cassação: ?Porque diminuiu a pressão que havia antes de ele se afastar da presidência.? A última suspeita veio à tona no fim de semana e ainda não foi alvo de representação.

Senadores ligados a Renan prevêem que ele será inocentado por 46 votos – 40 dos colegas que votaram a seu favor em setembro, na denúncia de que teria contas pagas por um lobista, mais os 6 que se abstiveram. Da lista de abstenção, Aloizio Mercadante (PT-SP) foi o único a dizer que agora apoiará a cassação, alegando que o parecer de Péres é ?consistente?. Já a maioria da bancada do PT deve repetir o voto a favor de Renan.

Ontem, Mercadante rebateu declarações do líder do DEM, José Agripino Maia (RN), para quem existe um ?acórdão?. Em troca da aprovação da emenda que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), os petistas votariam contra a cassação de Renan. ?O PT só tem 12 senadores. Não nos comportamos como bancada fechada e, além do mais, todas as bancadas se dividiram?, disse o petista. ?Não procede a informação de que as 6 abstenções foram todas do PT. O senador Mão Santa (PMDB-PI) já disse que ele foi um dos que se absteve.?